Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 16/10/2019
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, “A solidariedade social é fruto da consciência coletiva”. por outro lado, vê-se a necessidade de que os indivíduos compreendam a finalidade da doação de órgãos no Brasil, uma vez que, mesmo sendo uma referência mundial na área de transplantes, o país ainda sofre com os dilemas existentes acerca desse assunto. Visto isso, é imprescindível a atenção e discussão acerca do baixo conhecimento do processo transplantador, do ínfimo número de doadores e da falta de investimento por parte do Estado.
A princípio, nota-se que há, em grande parcela da população, um desconhecimento em relação ao procedimento de cessão de órgãos. Dessa maneira, pode-se observar que essa situação gera uma contradição ao pensamento de Durkheim, pois, não havendo a conscientização, não há a atitude solidária. Além disso, dados coletados pelo O Globo mostram que 50% das famílias não concedem a autorização do transplante após morte cerebral mesmo com o consentimento prévio do doador, fato que explicita ainda mais a desinformação existente na sociedade brasileira sobre essa pauta tão relevante, que, em tese, deveria ser tratada desde a infância.
Simultaneamente, fatores como o baixo número de doadores e a ausência de investimento do Estado na conscientização da população afirmam-se cada vez mais como desafios para a doação de órgãos no Brasil. Ainda que o número de doadores tenha crescido, de acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), de 10,7 para 17,0 pmp - por milhão de população - entre 2011 e 2018, esse é um índice relativamente baixo ao considerar-se o tamanho da população brasileira. Destarte, essa situação demonstra a ineficiência governamental na tentativa de conscientizar e captar voluntários para transplantes, algo que deve ser corrigido de imediatamente.
Diante do exposto, é possível postular que os maiores desafios da doação de órgãos no Brasil são provenientes da falta de consciência coletiva e da ausência de investimentos estatais. Sendo assim, faz-se necessária uma do Estado, por meio dos Ministérios da Saúde, da Educação e da Cidadania, na criação do projeto “Viver Solidário”, que atuaria por meio de palestras e campanhas conscientizadoras e de acolhimento em três frentes: na grade curricular da Educação Básica, nos meios de comunicação social e nas atividades da saúde em que haja potenciais doadores e receptores de órgãos. Essa ação visa a criação de um comportamento de solidariedade social desde a infância, além do acolhimento e da conversa com as famílias que participam do processo transplantador, com a finalidade de conscientizá-las acerca da importância desse ato e elevar o número de transplantes de órgãos no Brasil, que, de acordo com o Ministério da Saúde, já é o 2º maior transplantador do mundo.