Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 04/10/2019
Conforme consta no poema do modernista Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De maneira análoga, a doação de sangue no Brasil manifesta-se como um empecilho para a evolução social. Nesse viés, a falta de informação e a precariedade dos hemocentros auxiliam no crescimento negativo desse panorama. Assim, a Carta Magna de 1988 continua a não garantir (na prática) saúde de qualidade a todos.
A princípio, é incontestável que a carência de conhecimento sobre a doação de tecidos corrobora com a problemática. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), no Brasil, o transplante de órgãos é executado após a autorização familiar. Nessa perspectiva, o família revela-se como potencial doador, entretanto, a escassez no entendimento sobre o procedimento cirúrgico gera insegurança e medo entre as populações que acabam não liberando o processo.
Outrossim, a decadência dos centros clínicos contribui para inseguridade. Segundo o G1, o país detém de aproximadamente 30 hemocentros. Diante disso, os hospitais encontram-se, não raros, sem medicamentos, médicos e constantemente lotados, uma vez que o número de receptores excede as vagas do sistema de saúde. Destarte as rochas sedimentares - constituídas gradativamente - o descaso da sociedade para com o tema ocorre coletivamente em diferentes proporções.
Mediante ao exposto, portanto, é imprescindível que o Ministério da Saúde retire o pedregulho que inibe o desenvolvimento positivo das comunidades. Por meio da rede de educação de cada Estado, com a finalidade de orientar sobre a importância da permissão familiar para a doação. Por intermédio das escolas de ensino médio que realizarão anualmente projetos de debates com alunos e responsáveis sobre o ato solidário. Como também, é vital que as cidades invistam em construção e reestruturação de hemocentros, a fim de mitigar os desafios dos pacientes. Dessa forma, a via será liberada pela mudança ideologica social.