Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 03/10/2019
Na série americana “Grey’s Anatomy”, Denny Duquette, paciente do hospital Seattle Grace, aguarda ansiosamente por um órgão, contudo, a espera foi longa demais, levando-o à morte.Paralelamente a esse drama, tem-se a realidade de muitos cidadãos brasileiros.Hodiernamente, mais de 32 mil pessoas estão na fila de espera para um transplante de órgão, segundo o SUS.Nesse sentido, faz-se pertinente debater acerca das razões que fazem a doação de órgãos um problema para o Brasil.
É importante ressaltar, em primeiro plano, os fatores que contribuem para a persistência dessa problemática na sociedade.Atualmente, para que seja realizada uma doação, a família do doador precisa autorizar essa ação.No entanto, apenas 46% dos familiares autorizam essa ação.Essa questão acontece, devido à falta de informação sobre o assunto.Além disso, a carência de empatia e o individualismo instauram um ambiente desfavorável para as relações benéficas coletivas.Já dizia Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, que esses aspectos são característicos de uma sociedade moderna.Desse modo, notabiliza-se uma população leiga, no que tange a doação de órgão.
Cabe mencionar , em segundo plano, os desafios quem envolvem o transplante.Para a realização de um procedimento bem sucedido é necessário uma alta infraestrutura hospitalar, equipe especializada e um transporte rápido e eficaz.Porém, no Brasil, esses requisitos estão presentes em apenas alguns hospitais públicos.Com isso, grande parte dos centros de saúde não são aptos para a prática desse tipo de cirurgia, o que acaba gerando o aumento no número de pacientes na fila de espera.Dessa forma, evidencia-se um descaso por parte do Estado para combater o problema.
Torna-se evidente, portanto, que a doação de órgãos no país possui uma íntima relação com os aspectos governamentais e educacionais.Desse modo, cabe uma ação do Governo Federal, que deve, por meio do Ministério da Saúde, promover melhorias na infraestrutura dos hospitais públicos e aumentar a contratação de pessoas especializadas em transplantes.Com isso, espera-se reduzir os números alarmantes de pessoas na fila de espera. Visando ao mesmo objetivo, o Estado deve deixar à disposição aeronaves para o transporte de órgãos , com o fito de viabilizar o deslocamento para todo o território nacional.Ademais, é de responsabilidade do MEC, através de mudanças na Basa Nacional Comum Curricular , a inclusão do ensino detalhado sobre o transplante de órgãos nas aulas de biologia do ensino médio. Dessa maneira, espera-se construir uma sociedade mais crítica e com conhecimento para tomar uma decisão sobre o assunto.