Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/10/2019
A doação de órgãos é uma forma de salvar vidas e está regulamentada no Brasil pela lei 9434/2007. Porém, mais de 22 anos depois da promulgação da lei o número de doações está aquém do necessário o que evidencia que a doação de órgãos ainda é um dilema a ser superado pela sociedade. Por isso, é preciso discutir sobre os fatores envolvidos na não doação de órgãos pela população brasileira.
Primeiramente, a doação de órgãos só pode ser feita por um familiar após declaração de morte encefálica pelos médicos. No entanto, de acordo com o Ministério da Saúde (MS), cerca de 50% das famílias de potenciais doadores se recusam a doar acreditando que o doador em questão poderá se recuperar. Isso evidencia uma falta de informação sobre o quadro de morte encefálica na qual há a perda total, irreversível e definitiva das funções cerebrais. Assim, a ignorância implica na morte de muitas pessoas que dependem de transplantes para viver.
A esse respeito, observa-se negligência por parte do MS devido ao número insuficiente de campanhas de incentivo e esclarecimento sobre a importância da doação de órgãos - dado que a última campanha publicitária a esse respeito ocorreu em 2018. Desta forma, o baixo número de campanhas contribui para a permanência da cultura de não doação de órgãos o que traz sofrimento e angústia a quem está aguardando em filas de transplantes.
Portanto, o dilema da baixa adesão à doação de órgãos será superado por meio do incentivo e convencimento da população a esse respeito. Para isso, é fundamental que o MS promova campanhas informativas frequentes por meio de vídeos, a serem veiculados na TV e nas redes sociais, que ressaltem a importância da participação de todos na doação de órgãos e que esclareça as dúvidas sobre a morte encefálica bem como, aspectos pertinentes ao assunto. Assim, estas ações poderão colaborar para a superação do problema mais grave que impede a doação de órgãos: a ignorância.