Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 04/10/2019
A série “Grey’s Anatomy”, em alguns de seus episódios demonstra a grande dificuldade no processo de doação de órgãos. Fora da ficção, nos dias atuais, o Brasil teve um crescimento de 15% no número de doadores, entretanto, esse aumento ainda não é suficiente, visto que a taxa de recusas segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), foi de 43%. Tal situação é problemática tendo em vista que, há milhares de pessoas que dependem de doações para realizarem transplantes, assim, torna-se premente analisar a negligência e o preconceito como pilares fundamentais dessa conjuntura.
É axiomático que, o não esclarecimento da população sobre o assunto é fator determinante para a permanência do empecilho, pois, consoante a enfermeira, Gabriela Camponogara, “Durante o processo de doação, as pessoas não conseguem pensar sobre essa questão, e algumas relatam que se arrependem depois de não ter doado”. Nesse sentido, vê-se que a informação prévia sobre a vontade do doador poderia amenizar a angústia dessa decisão, contudo, culturalmente, a morte e sua chegada repentina, continua sendo um “tabu” a ser discutido, o que corrobora com a indecisão das famílias no momento de escolher em doar ou não. Logo, ações são necessárias para mitigar essa problemática.
Ademais, convém ressaltar que, a discriminação está entre as principais consequências da questão. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do cientista contemporâneo, Albert Einstein, no qual ele conceitua que, “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado”. Dessa maneira, mesmo com o acesso à informação e o constante esforço para se desmistificar a doação, o fato de ainda existir uma barreira cultural, leva os familiares a não autorizarem a doação. E, por conseguinte, segundo a ABTO, hoje, o Brasil tem mais de 30 mil pacientes em lista de espera para transplante. Portanto, é indubitável que medidas devam ser tomadas para alterar o cenário brasileiro.
Destarte, para que o revés seja atenuado no território brasileiro impende que providências sejam executadas. Neste seguimento, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) incluir, por meio da modificação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), o ensino detalhado dos procedimentos e da importância da doação de órgãos nas aulas de biologia destinadas ao Ensino Médio. Nesse lógica, o intuito de tais ações é introduzir previamente o conhecimento aos cidadãos brasileiros e garantir que, em uma possível decisão que tenham de tomar sobre o assunto, estejam em plenas condições de decidir conscientemente. Além disso, outras medidas devem ser tomadas, porém, de acordo com Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.