Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 14/10/2019

De acordo com a perspectiva médica, um transplante consiste em substituir um órgão ou tecido considerado doente, sendo em alguns casos a única alternativa de tratamento para o paciente em questão. No entanto, embora tal prática tenha o potencial de salvar diversas vidas, os preconceitos e a falta de conhecimento associados à mesma inibem a população, contribuindo para o aumento das filas de espera e gerando enorme sofrimento humano.

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 30 mil pessoas precisam de um transplante no Brasil atualmente. Apesar disso, cerca de 40% das famílias ainda se recusam a autorizar a doação, atitude motivada pela ausência de informação com relação ao procedimento, bem como aos benefícios que ele proporciona àqueles que aguardam um novo órgão. De forma ainda mais grave, a falha de comunicação entre os indivíduos que desejam ser doadores e seus familiares, dificulta a doação e contribui para endossar tais estatísticas.

Além disso, cabe citar que conforme o Conselho Nacional de Medicina, morte encefálica é considerada morte jurídica. Sob tal ótica, o despreparo dos profissionais da área da saúde para diagnosticar casos de morte cerebral, atuando com a agilidade necessária para notificar os responsáveis e encaminhar esses possíveis doadores, resulta na perda de órgãos saudáveis e na diminuição do número de transplantações realizadas.

Em suma, são necessárias medidas no sentido de promover e viabilizar a realização de transplantes no país. Logo, afim de aumentar a captação de órgãos e tecidos, cabe ao Ministério da Saúde fornecer treinamento aos médicos e enfermeiros, capacitando-os para reconhecer doadores em potencial. Ademais, as mídias, como rádio e televisão, devem promover campanhas relacionadas ao tema, informando e conscientizando a população. Enfim, tais medidas irão contribuir para reduzir a espera pelo procedimento, evitando perdas humanas.