Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 04/10/2019

Desde os primórdios da civilização antiga, majoritariamente, no Egito Antigo, já se conhecia acerca das técnicas de conservação de órgãos, pois acreditava-se que após a morte dos faraós, eles retornariam e os órgãos precisariam estar conservados. No Brasil, atualmente, com os adventos da ciência e tecnologia, essas técnicas são fatores decisivos para salvar vidas, por meio da doação de órgãos. Desse modo, convém analisar os aspectos positivos e negativos de tal procedimento em território brasileiro.

Em primeira análise, a falta de informação acerca da doação de órgãos é um descaso a ser enfrentado por muitos cidadãos à espera de um doador. Nesse contexto, já dizia o pacifista indiano, Mahatma Gandhi , “as doenças são resultados de nossas atitudes e pensamentos”. De forma análoga, a mídia representa um meio de informação necessário para moldar os pensamentos e hábitos dos brasileiros. Desse modo, a falta de doadores de órgãos se deve, integralmente, à escassez de informação sobre o assunto nos meios de comunicação. Tal atitude midiática reflete nos ideais da sociedade, que, de forma inconsciente, desprezam a necessidade da doação de órgãos em prol da vida.

Outrossim, é de grande importância que os sistemas públicos de saúde brasileiros estejam aptos para atender essa população à espera de órgãos e a outra parte, doadora. Para isso, no final do ano de 1988, foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, vigente até os dias atuais. Nesse documento apresenta o dever do Estado em criar e subsidiar o Sistema Único de Saúde (SUS); entretanto, o Governo falha nesse quesito e, infelizmente, o resultado desse descaso são mais de 40 mil pessoas na fila de espera por um órgão, segundos dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Entre os problemas acerca da precarização do sistema público hospitalar estão: infraestrutura inadequada, falta de medicamentos e profissionais. Tal situação é caótica, contudo, mutável.

Logo, é sabido que os principais problemas acerca do conceito de doação de órgãos, no Brasil, é o descaso constitucional e informacional. Para isso, portanto, torna-se necessário a criação de programas televisivos em todas as redes emissoras, destinado à publicar informações sobre saúde e estimular a doação de órgãos . Para a concretização disso, o Poder Legislativo deve, por meio da criação de leis, tornar obrigatório tal atitude para os meios midiáticos. Além disso, o Governo deve ser coerente com o exposto na Constituição; desse modo, é preciso um maior investimento no SUS para proporcionar melhores atendimentos à população e também, a criação de hospitais especializados em doação de órgãos em todas as regiões.