Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/10/2019

Segundo o autor Franz Kafka, “a solidariedade é o sentimento que melhor representa o respeito pela dignidade humana”. Dessa maneira, a solidariedade um ato nobre feito para ajudar a humanidade. Porém, quando discutimos a doação de órgãos, esse ato torna-se menos recorrente. Assim, portanto, há obstáculos na doação de órgãos, devido à desinformação da população, que pode gerar informações deturpadas sobre o transplante, e à ausência de debate sobre o assunto com a família, que contribui para a problemática.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a dificuldade de compreensão do diagnóstico do paciente corrobora para a recusa da doação. Atualmente, os critérios utilizados para declarar a morte é o de morte encefálica, caracterizada pela completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro, assim, quando o paciente se encontra nessa situação, torna-se um potencial doador. Embora seja viável para doar, a maioria das vezes, as famílias não possuem informações suficientes ou não têm uma boa compreensão e ficam relutantes com esse processo. Assim, esses familiares apegam-se à crença da reversão do quadro, têm receio da reação e repressão por parte de outros familiares e medo do comércio ilegal de órgãos, já que acham que a morte pode estar sendo antecipada ou induzida. Desse modo, a negação da família contribui para a escassez de órgãos para transplante.

Ademais, a falta de discussão sobre o assunto com os familiares é outro fator da problemática. A morte ainda é um assunto delicado e pouco discutido no ambiente familiar, então, consequentemente, a doação de órgãos também não é muito comentada. De acordo com o estudo realizado na cidade de Pelotas (RS), 80,1% dos participantes seriam favoráveis à doação de um familiar seu, caso o desejo de ser doador fosse manifestado. Em contrapartida, caso não houvesse essa manifestação, apenas um terço dos entrevistados autorizaria. Logo, a discussão prévia sobre ser doador de órgão colabora para o consentimento da doação na hora da morte.

Fica evidente, portanto, que é de suma importância sanar os obstáculos na doação de órgãos. Sendo assim, o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, devem contribuir para conscientização da população, com a ampliação de campanhas veiculadas pela internet, televisão, panfletos e outdoors, que expliquem a segurança do processo de doação até o transplante e também como funciona a morte encefálica, assim, favorece o aumento de doadores. Além disso, é importante o indivíduo debater sobre o interesse em ser doador, dessa forma, o risco de rejeição as doações pela família diminuem. Dessa maneira,  o respeito pela dignidade humana da frase de Franz Kafka pode ser exercido efetivamente.