Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 06/10/2019

A série americana “Grey´s Anatomy” retrata em um de seus episódios a batalha enfrentada pelo paciente Denny Duquette contra a fila de espera para seu transplante de órgão. No entanto, o que se é visto na ficção, infelizmente, é realidade no cotidiano de muitos brasileiros que lutam constantemente pela vida à espera de um doador e em que muitos caos não aparece por conta do estigma ainda pertinente socialmente sobre a doação de órgãos. Dessa forma, cabe analisar os fatores que propiciam essa situação e as medidas que devem ser tomadas a fim de minimizá-la.

A priori, é notável a precariedade ao qual se encontra o sistema público de saúde brasileiro. Ademais, de acordo com Locke, o Estado deve ser provedor do direitos básicos a seus cidadãos, como saúde, educação e segurança, a evidenciar, assim, a insuficiência do governo para suprir esse direito. Como prova disso, tem-se as filas quilométricas do SUS (Sistema Único de Saúde),em que inúmeros indivíduos ficam reféns da espera entre a vida e a morte, sem a certeza de que terá doador disponível.

Outrossim, cabe ressaltar que outro fator contribuinte para a escassez de órgãos e de doadores é o estigma existente sobre ser doador. Por conseguinte, a presença desses “mitos” estão interligados, segundo médicos, à falta de diálogo entre os núcleos sociais sobre o ato de dar órgão e que, infelizmente, acaba por ajudar no aumento do número de pessoas que se recusam ser doadoras. De acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), cerca de 47% das famílias se recusam a doar os órgãos de seus parentes.

Destarte, medidas devem ser tomadas a fim de mitigar o imbróglio. Logo, cabe ao Estado, junto com o Ministério da Saúde, investir na construção de mais hospitais especializados em realizar transplantes e na contratação de profissionais de saúde capacitados com o fito de diminuir a espera dos pacientes e ofertá-los uma melhor qualidade de vida. Por fim, cabe à mídia divulgar campanhas de cunho reflexivo sobre a temática, com a presença de médicos para explicarem e desmistificarem os “mitos” acerca da doação, com o objetivo de fomentar o debate sobre a questão nos núcleos sociais, de maneira que o medo de doar e a falta de informação não sejam mais empecilhos para a realização da doação. Com isso, poder-se-á atenuar a situação e fazer com que casos como o de Denny Duquette sejam raros no cenário brasileiro.