Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/10/2019

A Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos(ABTO), tem por finalidade estimular o desenvolvimento de todas as atividades direcionadas a doação de órgãos e tecidos no Brasil. Contudo, apesar dos avanços no quadro de transplantes no país, a instituição ainda enfrenta dificuldades para exercer seu papel, o que se deve tanto a resistência da sociedade, quanto a falta de infraestrutura hospitalar para realização do processo. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores e possíveis medidas relacionadas a esse entrave social.

A priori, vale ressaltar a escassez de informação da sociedade como um dos desafios para a doação. Acerca disso, é pertinente citar a teoria dos ‘’Ídolos’’ do filósofo Francis Bacon, a qual as falsas percepções humanas atrapalham a compreensão da realidade, conduzindo o homem ao erro. Tal premissa se relaciona com o viés em questão, tendo em vista que por desconhecerem o conceito de morte encefálica, muitas famílias não permitem que órgãos e tecidos, a exemplo do coração, fígado, rins e córneas de seus parentes falecidos sejam doados. Dessa forma, por acreditarem na reversibilidade do caso, a recusa impede que muitas vidas sejam salvas.

Outrossim, é imperioso destacar a má manutenção dos órgãos e a ausência de logística como obstáculos para o processo. De acordo com a OMS(Organização Mundial da Saúde), faz-se necessário a realização de um transplante no máximo seis horas após a morte do doador. Entretanto, a precariedade de muitos hospitais brasileiros e a falta de profissionais capacitados para executarem o transplante bem-sucedido, são responsáveis pela perda de muitos órgãos sadios e aptos. Logo, esses fatores corroboram o grande tempo das pessoas que aguardam pela doação na fila de espera.

Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter esse cenário. Assim, cabe ao Governo, mediante parceria com a mídia, promover projetos didáticos que visem esclarecer para a sociedade a irreversibilidade da morte cerebral e a importância da doação, bem como na melhoria da qualidade de vida de alguém, com o propósito de evitar a negação dos familiares quando o transplante for solicitado. Junto a isso, é vital que o Ministério da Saúde, por meio de investimentos, melhore a gestão dos hospitais, a fim de que esses tenham maior capacitação e suporte na transplantação. Só então, será factível tornar recorrente essa ação tão solidária no país.