Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 12/10/2019
Cientistas israelenses criaram, em 2019, o primeiro coração impresso em 3D, é um protótipo minúsculo e, ainda, não é possível fabricar um de tamanho normal funcional, ou seja, a utilização dessa tecnologia permanece distante para o transplante. Dessa forma, a única maneira de salvar indivíduos os quais necessitam de um novo órgão é através de um ato de altruísmo e compaixão: a doação. No Brasil, entretanto, tal meio não funciona como deveria, a procura é alta já a demanda segue insuficiente, uma vez que a decisão familiar e a pouca participação governamental representa os principais dilemas na contemporaneidade.
Inicialmente, a recusa familiar é alta, sobretudo pela pouca informação destinada a ela acerca do processo e do que é a morte encefálica. Nesse sentido, a lei estabelece que a constatação desse falecimento é realizado por dois médicos distintos e que não estejam envolvidos no procedimento para não haver dúvidas de suas condutas. Ademais, esse óbito é irreversível, mas o sujeito, ainda assim, pode ter espasmos e o coração continuar a palpitar, no entanto, é só questão de tempo para todas as funções cessarem e os órgãos ficarem inutilizáveis. Esse contexto é inaceitável que, em um país com o maior Sistema de Saúde Pública do mundo, a capitação de tecidos seja dificultada pela falta de dialogo.
Além disso, a omissão do núcleo governamental também corrobora para que essa problemática permaneça vista com indiferença por uma parcela considerável da sociedade. Paralelamente, a Espanha, em contramão do que é feito por aqui, entende o assunto como essencial, lá é vinculado nas escolas desde a tenra idade a discussão, o que possibilita a compreensão das pessoas, não atoa o país tornou-se referência mundial. Infelizmente, essa mazela, vivenciada por muitos brasileiros, não é difundida de maneira correta e sim sazonalmente, o que gera rápido esquecimento e consequentemente pouca relevância para aqueles que não dependem desse serviço para continuar a existir.
Portanto, são necessárias medidas para mitigar essa problemática a qual impossibilita muitas pessoas de viver. Para tanto, o Ministério da Saúde, que corresponde ao setor governamental responsável pela administração e manutenção da saúde pública do país, deve difundir mais informações acerca da doação de órgãos através de campanhas ao nível nacional e de maior duração, diferente da realizada atualmente. Ademais, o Ministério da Educação também deve ser vinculado, esse deve fomentar a discussão sobre práticas solidárias, no espaço escolar, por meio de aulas de sociologia e ética cidadã, com a participação de médicos e psicólogos para tornar essas questões mais próximas de seus cotidianos. Com efeito, a questão abordada deixará de ser um dilema na atualidade.