Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/10/2019

A realização de transplante de órgãos teve inicio em 1964 no  Brasil e na contemporaneidade o Sistema Único de Saúde (SUS) realiza a maior parte dos transplantes no país, sendo inclusive o segundo maior transplantador de órgãos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Contudo a quantidade de órgãos doados não supre a demanda da população brasileira  que ocorre, infelizmente, pela falta de informações e crenças pautadas no senso comum.

Em primeira análise, é importante destacar a existência de informações errôneas acerca do processo de doação. As famílias enfrentam uma série de dilemas éticos na hora de decidir sobre a doação e normalmente, a religião costuma ser utilizada como razão para a não realização do procedimento, mesmo que a maioria das doutrinas não se posicione contra tal prática.

Outrossim, vale ressaltar que os motivos para a negação vão muito além. De cordo com o médico Drauzio Varella o medo de conflito com o restante da família, suspeitas de corrupção do comércio ilegal de órgãos e desconfiança a respeito das informações passadas pelos médicos são apenas alguns impasses que o transplante de órgãos enfrenta. Uma lástima, visto que segundo uma uma pesquisa feita pela revista Boa Forma em 2017, se todas as famílias de pessoas aptas a doarem órgãos concordassem com o processo, seria possível colocar a fila do SUS perto de zero, já que um doador é capaz de salvar ate dez vias.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que o problema seja resolvido. É necessário um trabalho em conjunto pois conforme o filósofo Émile Durkheim, a sociedade é como um corpo biológico, onde as partes devem interagir para garantir a coesão social, desse modo é inegável que o Estado em parceria com o Ministério da Saúde, promova campanhas por meio de cartazes em lugares públicos que conscientizem a população sobre a importância de ser um doador e desmistifique crenças. Dessa forma, vidas serão salvas e poderão continuar garantindo a harmonia social