Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/10/2019
A doação de órgãos enfrenta dificuldades irreversíveis da natureza humana, como a falta de reconhecimento celular do glicocálix entre doador e paciente ou a questão de maiores índices no envelhecimento populacional. Seria lógio pensar, que esses casos seriam fatores da problemática, mas há os sociais, como os baixos investimentos públicos na área da saúde, o tabu sobre a morte e a desinformação.
Em primeira abordagem, é válio ressaltar que a falta de esclarecimento sobre a doação de órgãos é um problema. Parafraseando Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, nesse sentido é formado a moral do indivíduo, a qual é determinante nas tomadas de decisões no decorrer da vida. Nesse cenário, compreender o conceito de morte encefálica, como a perda completa e irreversível das funções cerebrais, é primordial a fim de compreender a morte e consequentemente liberar o corpo para doação.
É importante salientar, ainda, que a religião é usada como razão para não ocorrer a doação de órgãos, mesmo que ela não se posicione contra tal prática. Entretanto, a crença em Deus estimula a esperança para uma mudança no quadro de saúde, algo cientificamente impossível. Dessa forma, há uma problemática estimulada pelo tabu da morte vigente na sociedade contemporânea.
Além disso, a péssima infraestrutura hospitalar dificulta a doação de órgãos. O Sistema Único de Saúde (SUS), no Brasil, é responsável por 90% do processo, contudo o descaso social e governamental ao mesmo causa a escassez de profissionais na UTI, psicólogos, enfermeiras. Assim, mesmo o país possuindo grande publicidade sobre o assunto, não está totalmente adequado para suporte.
Entende-se, portanto, que a doação enfrenta dilemas para ocorrer com maior eficiência na sociedade. Para sanar esse, é necessário que o cursos da área da saúde das universidades promovam o reconhecimento da importância e da necessidade do SUS no Brasil, por meio de palestras e eventos nas empresas e locais públicos, com o intuito de conscientizar a população á buscar investimentos na área. O Governo Federal precisa aumentar o capital na infraestrutura hospitalar para promover maior acesso ético a saúde. O Ministério da Educação deve inserir uma educação relativa a doação de órgãos nas escolas, com o intuito de incluir a prática a sociedade. É primordial, que os médicos insiram os familiares em todo o processo do acompanhamento, pois caso haja morte seja mais fácil compreender e lidar com ela.