Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 21/10/2019
A série americana “Grey´s Anatomy” se passa em um hospital e aborda vários dilemas, entre eles, a da doação de órgãos, retratando tanto o lado da família que precisa decidir se irá doar o órgão do ente querido, tanto da pessoa que está esperando a doação. Fora da ficção, a situação retratada no drama se repete, e a quantidade de órgãos doados não é o suficiente para atender todos que necessitam. Logo, é necessário perceber que os principais motivos por essa problemática são, a falta de informações sobre o processo de doação e a infraestrutura inadequada dos hospitais, principalmente dos públicos.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a falta de informação é um dos principais motivos que leva as famílias a negarem a doação. Segundo dados publicados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), cerca de 47% das famílias recusam a doar os órgãos de parentes. Isso deve, principalmente, pelo fato de muitos não entenderem que para que a doação seja realizada o paciente precisa ter morte encefálica, que é um processo irreversível. Assim, ficam com receio de seu familiar possuir alguma chance de melhorar e não permitem a doação.
Aliado a isso, ainda se nota uma grande falta de infraestrutura nos hospitais, e isso impossibilita a doação de órgãos de maneira eficaz. De acordo com uma reportagem publicada pela Folha de São Paulo, o Brasil desperdiça cerca de 50% dos órgãos para transplante, seja por causa de equipes despreparadas ou por falta de material e verba. Assim, o crescimento no número de doações é limitado por uma infraestrutura precária e falta de investimento governamental.
Infere-se, portanto, que resolver os dilemas relacionados a doação de órgãos é um grande desafio. Posto isto, o Governo Federal, aliado as mídias, deve agir em favor da população, criando propagandas que abordam a doação de órgãos e seu processo, ressaltando o fato de que a morte encefálica é irreversível, assim garantindo informação para a população e rompendo com mitos relacionados a doação. Aliado a isto, o Ministério da Saúde deve destinar mais verbo para esse setor, com intuito de criar programas que melhor capacitam os profissionais para lidar com esse tipo de situação, além de investir em melhores equipamentos, assim evitando desperdiço de órgãos totalmente utilizáveis. Feito isso, a doação de órgãos deixara de ser um dilema, e a fila de esperar não será maior que a quantidade de órgãos disponíveis.