Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 09/10/2019
O escritor inglês Thomas More, aborda em sua obra “Utopia”, uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a doação de órgãos apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, esse cenário antagônico é fruto tanto da recusa familiar por falta de informações, quanto a escassez da estrutura nos centros cirúrgicos, o que torna fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é imperativo ressaltar a não autorização dos familiares vinculado a insuficiência de conhecimento sobre o assunto. De acordo com uma notícia publicada pelo G1, as famílias não autorizam o transplante de entes falecidos na metade dos casos. Partindo desse pressuposto, nota-se que isso ocorre porque tais familiares desconhecessem os processos de procedimento e conceitos básicos como a morte encefálica, duvidando da segurança da doação. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a negação por parte das famílias colabora para que a lista de espera permaneça desproporcional à quantidade de doares, logo, é preciso explorar as campanhas sobre o assunto em questão, para que a sociedade possa compreender a importância desse ato.
Outrossim, é indispensável pontuar que a precariedade das estruturas dos centros cirúrgicos deriva da baixa atuação dos setores governamentais. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, no entanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de atuação das autoridades em conceder verbas para equipamentos como : seringas, cateteres, fio de aço cirúrgicos e etc, o jornal “O Povo” publicou uma reportagem afirmando que a falta de tais materiais impossibilitaram que algumas cirurgias fossem realizadas nos hospitais na capital do Ceará. Em função disso, muitos pacientes perderam a oportunidade de realizar o transplante, sendo assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o dilema da doação de órgãos no Brasil. Dessaste, com o intuito de mitigar o impasse, necessita-se, urgentemente que o tribunal de contas da união direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido em investimentos para contribuir na melhoria dos procedimentos, através da oferta de equipamentos de qualidade, transportes, e capacitação dos profissionais a fim de que os transplantes sejam realizados com eficácia, ademais, deve-se promover o reforço das campanhas sobre doação de órgãos nos meios midiáticos. Espera-se com isso, alcançar a Utopia pregada por More.
segundo o jornal O Globo, as famílias não autorizam a doação em cerca de 50% dos casos. Isso acontece, em parte, porque tais familiares desconhecem os processos do procedimento e conceitos básicos como morte encefálica, duvidando da segurança da doação. Além disso, trata-se de uma pauta pouco explorada tanto em campanhas governamentais quanto em outras esferas, como a escolar, dificultando que a população assimile a importância desse ato e fique ciente dos pormenores do assunto.