Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 15/10/2019
A primeira metade do século XX foi marcada pela ocorrência de grandes conflitos da humanidade, como a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais. Tendo em vista a quantidade de feridos resultantes, esses eventos culminaram no maior desenvolvimento da medicina, sobretudo na aprimoração de transplantes. Contudo, mesmo com avanços, no Brasil, a demanda pela doação de órgãos é maior que a sua realização, uma realidade inegavelmente nociva. Nesse sentido, urge a análise das principais causas dessa problemática.
A priori, é vigente a desinformação a respeito da doação. Embora exista uma lei que regulamente o transplante de orgãos reforçando o direito à vida garantido pela Constituição de 1988 essa foi instituída há apenas 22 anos. Evidentemente, sua recente implementação é fruto da ausência de debate sobre o assunto. Por certo, ao escrever ‘‘Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informação’’, o pensador Michel Foucault ilustrou sobre os malefícios obtidos pela errônea veiculação de conhecimento. Sob essa ótica, é possível compreender os prejuízos gerados pela disseminação de mentiras e pela divulgação incorreta dos requisitos dos transplantes. Dessa forma, obtém-se o triste quadro de poucos doadores.
Assim, dificulta-se o processo de autorização da doação. De todo, os familiares e cônjuges do indivíduo falecido são os únicos permitidos a informarem quanto a posição desse de ser ou não doador. Todavia, muitos lares não abordam essa temática, transferindo essa decisão aos parentes, logo após receberem a confirmação da morte cerebral. Embora a corrente filosófica utilitarista defenda que o curso da conduta deve ser aquele capaz de prover a maior capacidade de felicidade, 40% das famílias, de acordo com o Ministério da Saúde, não permitem a retirada de orgãos. Isso ocorre, majoritariamente ,por esse ser um momento de luto, e dessa forma, muitas vidas, infelizmente, deixam de serem salvas.
Portanto, é necessário o aumento da taxa de transplantes realizados no país. Cabe à Midia _ visto seu enorme alcance e repercussão no público_ tornar a lei regulamentadora da doação de orgãos mais acessível e conhecida na população, por meio da criação de propagandas, as quais explicarão adequadamente os principais aspectos e pré-requisitos dessa cirurgia e desmistificarão mentiras sobre o assunto. Visa-se, por conseguinte, informar a população acerca da importância dos transplantes e de ser um doados. Ademais, o Ministério da Saúde deve melhorar a capacitação dos médicos a respeito da abordagem da família do ente falecido ao tratar da autorização da doação. Desse modo, a sociedade caminhará para ainda mais avanços, melhorando a qualidade de vida dos indivíduos.