Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 10/10/2019
Segundo as ideias do sociólogo Émile Durkheim, para o melhor funcionamento da sociedade é preciso a cooperação de todos os indivíduos. Visto isso, é possível mencionar que para que a doação de órgãos aconteça de forma eficiente, é preciso que grande parte da população seja doadora. Entretanto, ainda que existam diversas campanhas a favor desse ato, o número de pessoas conscientizadas ainda é insuficiente para suprir todos os necessitados. Isso acontece devido a falta de políticas públicas efetivas que auxiliem o indivíduo a se informar sobre o assunto, e à falta de consciência, de grande parte da população, sobre a importância da doação. Essa realidade constitui um desafio a ser solucionado não só pelos poderes públicos, mas também por toda a sociedade.
Primordialmente, pode-se citar que, desde 1964, já se realizava o transplante de órgãos no Brasil, e que, em 1997, os poderes públicos sancionaram uma lei que permitia a doação, afirmando que seria um avanço que diminuiria as taxas de mortalidade da população. Atualmente, é possível traçar um paralelo com essa realidade, uma vez que o estado busca, por meio de campanhas apelativas, aumentar o número de doadores. Todavia, a cessão de partes do corpo ainda é considerada, por parte da sociedade, como um tabu, assim como mostra o site Tribuna, que alega que, somente no estado do Paraná, quase duas mil pessoas estão na fila de espera devida às ‘‘barreiras’’ do preconceito. Isso se intensifica devido à falta de investimentos públicos em campanhas informativas, uma vez que a forma mais eficiente de se combater o prejulgamento é com a informação.
Ademais, é importante destacar que grande parte da população não tem consciência da importância da doação de órgãos, já que não existem programas permanentes voltados para esse assunto. A conscientização é de suma relevância, uma vez que um único doador pode salvar até vinte pessoas, assim como afirma a Associação Brasileira de Transplante de órgãos. Assim sendo, cabe não somente ao estado, mas também a todas as pessoas já conscientes, a disseminação da significância de se tornar um doador.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. O estado deve não somente investir em campanhas apelativas, mas também em informativas, além de programas permanentes voltados para o assunto, utilizando dos meios de comunicação em massa, como a televisão, jornais, rádios e revistas. Dessa forma, será possível garantir uma conscientização que, de fato, abranja a maioria da população e supere, por meio da informação, o preconceito para com a doação de órgãos e a falta de doadores, além de estimular o indivíduo a informar outros sobre a importância da compreensão para com o assunto.