Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/10/2019
O filme “O mágico de Oz” traz à tona a crise existencial de um dos seus personagens principais:“O Homem de Lata”,que está constantemente em busca de um novo coração tornar-se humano novamente.Longe do viés artístico,e adentrando á realidade nacional,é conveniente observar os dilemas que envolvem a doação de órgãos no Brasil,e de que maneira a não autorização familiar,associada às brechas na legislação brasileira reduzem o número desses transplantes.
Pontua-se,em uma análise inicial,que a não permissão familiar para a realização do transplantes de órgãos é um dos maiores impasses no que diz respeito à realização desses no Brasil.Isso porque,diferentemente dos Egípcios(que encaravam a morte como algo divino),muitos familiares não aceitam a morte cerebral de seus entes queridos,e com isso dificultam á efetivação do transplante,dado que esses ainda acreditam que seus parentes possam apresentar sinais vitais.Como consequência de tais decisões familiares,verifica-se a lentidão no processo de convencimento familiar,bem como a consequente inutilidade dos órgãos,já que alguns desses(como o coração) precisam ser transplantados até no máximo 2 horas.Como prova dessa triste realidade nacional,observa-se,segundo o Instituto Datafolha,o fato de que em 2018 havia no Brasil mais de 5 mil potenciais doadores,mas menos da metade das famílias autorizaram as doações.
Observa-se,em paralelo a isso,como algumas “brechas jurídicas” impedem que o Brasil seja um potencial líder no ranking mundial da doação de órgãos.Tal situação ocorre devido ao fato de serem autorizadas apenas as “doações consentidas”,o que significa dizer que mesmo que o doador deixe um documento autorizando a doação de órgãos,esse só será validado mediante o consentimento familiar.Fato que não ocorre em países líderes no ranking mundial dos doadores de órgãos,como a Espanha(por exemplo),segundo a ONU(Organização das Nações Unidas).Ademais,constata-se como consequência disso a quebra do desejo pessoal do potencial doador,assim como do viés Sartriano que evidencia que:" Devemos nos tornar aquilo que escolhemos de nós mesmos".
Nota-se,portanto,que,para a ampliação do número de doadores de órgãos no Brasil,Ministério da Saúde deve,com o auxílio de familiares e instituições legislativas,através da reformulação de leis voltadas ao transplante de órgãos e o consentimento do doador e de seus familiares(por escrito),por intermédio de documentações viabilizadas por cartórios,a fim de que a permissão do ato seja feita ainda em vida pelos doadores,com o intuito de que nenhum cidadão brasileiro seja mais um " Homem de Lata" á espera de um órgão nas filas de transplantes no Brasil.