Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/10/2019
O filme americano ‘‘A ilha’’ apresenta um futuro distópico biotecnológico, onde é comum a mutação e a clonagem humana. A obra retrata uma clínica, a qual cria clones com o DNA de seus clientes, o objetivo é criar uma cópia com saúde para transferir os órgãos saudáveis ao cliente e depois matar o clone. Fora da ficção, é fato que milhares de pessoas estão dispostas a pagar caro por tecidos que funcionem, mesmo de forma anti-ética e ilegal, uma vez que sua doação em países, como o Brasil, enfrentam muitas limitações.
A venda contra lei de órgãos em países, como o Iraque, o Afeganistão e a Palestina possuem os seus mercados já estruturados, dado que nesses locais existem conflitos armados, políticos e religiosos, os quais resultam em milhares de mortes por ano. Desse modo, os tecidos ainda vivos são coletados e vendidos nas fronteiras com a Alemanha e Itália. Por conseguinte, a partir do baixo número de doadores e aumento da procura por pessoas dispostas a pagar caro, a venda ilegal cresce cada vez mais.
Outrossim, a cultura de muitos países ocidentais cristãos, é de resistência a doação, visto que suas crenças implicam na pureza da carne e a tradição de sepultar o corpo completo. Por consequência, isso junto a ausência de orientação sobre a doação de órgãos resulta no aumento da procura em mercados ilegais por parte das pessoas mais ricas. Segundo o filósofo italiano Maquiavel, ‘‘Os fins justificam os meios’’, assim, pode-se compreender a necessidade de informar e estimular a doação, a fim de transformar o fim de milhares de pessoas doentes.
O Ministério da Saúde junto ao Governo Federal podem criar políticas de orientação e incentivo à doação de órgãos destinada à população, por meio de campanhas, palestras e debates nas escolas com a comunidade e especialistas da área da saúde, além de promover visitas aos centros de doação, de forma que os indivíduos conheçam os procedimentos e as pessoas que precisam dos órgãos. Assim, a sociedade estará preparada para tomar uma decisão cedo e estimulada a salvar vidas legalmente.