Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 12/10/2019
No seriado norte-americano “Grey’s Anatomy” é retratado o drama vivenciado pela personagem Danny, que aguardou anos na lista de espera até conseguir um transplante de coração. Já fora das telas, a realidade da dação de órgãos no Brasil não se encontra em uma situação diferente, devido a problemas no sistema de saúde público e desinformação sobre o assunto.
Em primeiro plano o principal desafio para a doação de órgãos no país é a desinformação da população. Famílias por não entenderem bem o conceito de morte encefálica, ou por estarem cientes que seu ente gostaria de doar seus órgãos em caso de morte cerebral, não autorizam a doação para transplante. Esse fato ocorre com 47% das famílias, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Ademais, o Brasil se encontra no meio de uma crise no sistema de saúde público. A falta de profissionais capacitados para a remoção dos órgãos e a precariedade do sistema cirúrgico nos hospitais muitas vezes inviabilizam o transplante, pois, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS) 98% dos transplantes são realizados em hospitais públicos.
À luz dos fatos superpostos, certas medidas devem ser tomadas, por exemplo: o Estado investir uma maior parcela do Produto Interno Bruto (BIP) nacional na área da saúde publica, para cessar essa crise no setor, para os hospitais (regionais, municipais e estaduais) melhorem suas estruturas e o sistema cirúrgico; ele também deve disponibilizar cursos gratuitos a graduandos de medicina para a capacitação de retirada e manuseio de orgãos durante transplantes. Além disso, o Estado em parceria com o Ministério da Saúde, devem lançar campanhas midiáticas e promover debates em instituições de ensino sobre a importância de comunicar a familia que deseja ser um doador de orgãos. Afinal, o fim de uma vida pode dar um novo começo à outra.