Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 14/10/2019

No dia 27 de setembro, é intitulado o Dia Nacional de Doação de Órgãos no Brasil. O principal objetivo desta data é conscientizar a população, sobre a importância de ser um doador de órgãos. Contudo, esse ato solidário é constituído de dilemas que dificultam o ato, sendo fruto tanto de fatores políticos, quanto da educação tardia sobre o assunto com a população. Desse modo, é fundamental a discussão desses aspectos, a fim de salvar mais vidas.

Precipuamente, é fulcral pontuar que um dos dilemas enfrentados na doação de órgãos deriva na mudança da lei em 2001. Pois, se definiu que a decisão final da doação dos órgãos da pessoa cabe à família. Este princípio fere o direito de liberdade individual, definido na própria Constituição, pois, mesmo que o indivíduo declare em vida a escolha de ser doador, diante da legislação, esse desejo não é muitas vezes concretizado, pois, os familiares que vão decidir, em um momento de pêsame. Sendo assim, no atual cenário, a vontade do indivíduo não é concretizada, dificultando que vidas sejam salvas.

Em segundo lugar, é indubitável ressaltar que a falta do debate sobre a doação de órgãos desde o educandário torna-se outro impasse. Dessa forma, sem o esclarecimento sobre o assunto, os estudantes crescem sem uma visão da importância dessa ação solidária na sociedade, sendo que, eventualmente, podem salvar diversas vidas. Segundo o escritor tcheco Franz Kafka, “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Em virtude dos impasses encontrados na legislação e da falta de debate nas escolas, a solidariedade supracitada torna-se distante.

Assim, é necessário medidas para solucionar os dilemas encontrados na doação de órgãos. Destarte, com intuito de mitigar a problemática, urge que o poder legislativo, através da mudança da lei de doação de órgãos, defina como primordial a escolha do doador em doar, não da família, a fim de que, a vontade individual seja realizada, seguindo os princípios Constitucionais. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação, realize palestras, mediante verbas educacionais, nas escolas, discutindo a importância de doação seguindo parâmetros ideias para cada idade. Deste modo, os estudantes podem se conscientizar sobre como a sua escolha pode ajudar a salvar vidas, inserindo a solidariedade, mencionada por Kafka, desde a infância, crescendo com uma visão de estrema importância social.