Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 14/10/2019
Segundo Franz Kafka, pensador alemão, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesse sentido, a doação de órgãos é um ato solidário que pode auxiliar a salvar muitas vidas e, portanto, é de suma importância para o meio social. Entretanto, essa questão apresenta dilemas no Brasil, os quais impedem sua realização de forma eficiente. Tal fato reside, sobretudo, nos empecilhos para conscientizar os indivíduos e suas famílias, e no tráfico de órgãos, o que é prejudicial para o panorama moderno.
É válido destacar, de início, que os entraves para garantir a informação e conscientização da sociedade civil resultam em impactos negativos, a destacar o grande número de cidadãos à espera de um transplante. Há relatos de transferência de órgãos, ou partes dele, desde a Antiguidade, porém a prática se popularizou no século XX, a partir da descoberta de drogas contra a rejeição. No cenário hodierno, os avanços da medicina permitem que o indivíduo doe ainda vivo, a exemplo o seu fígado, o qual após o procedimento se regenera, ou já falecido quando se trata de órgãos vitais como o coração. Contudo, a ausência de estímulo para que o ato seja feito resultam em desconhecimento e falta de incentivo para que a população entenda como o processo será realizado e os benefícios que irá gerar a um outro ser humano. Dessa forma, conforme dados do Ministério da Saúde, a quantidade de pessoas que aguardam em uma fila, é grande, e como muitas famílias resistem em autorizar a ação, a demora para a obtenção é grande, o que resulta na perda de muitas vidas.
Outrossim, o tráfico de órgãos é outro problema. De acordo com o sociólogo Karl Marx, o capitalismo prioriza lucros em detrimento de valores, e a ética assume pouco valor comparada aos interesses financeiros. Tal conceito se aplica a esse âmbito, visto que redes criminosas realizam o comércio ilegal de estruturas corpóreas a fim de obterem dinheiro. Dessa maneira, os infratores não respeitam a vida e vendem clandestinamente partes do corpo humano. Isso ocorre em decorrência da lei ser branda, a qual consiste em reclusão de 3 a 8 anos, o que é um período curto para um crime que acarreta malefícios a saúde e ao bem estar de muitos indivíduos. Assim, há a recorrência desses casos.
Portanto, os obstáculos para a doação de órgão no Brasil geram consequências prejudiciais a toda a sociedade. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, sensibilizar e informar a população sobre a questão. Isso pode ser feito por meio de anúncios publicitários, ficções engajadas que retratem o tema, e por debates em programas televisivos com a participação de profissionais da saúde que orientem e retirem possíveis dúvidas. Ademais, é papel do Poder Legislativo reformular a lei e propor que ela seja mais rigorosa, com penas mais altas e multas, para que o Judiciário efetue a punição.