Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 14/10/2019

“Grey’s Anatomy” é uma série americana que retrata o cotidiano de médicos e pacientes em um hospital. Em vários de seus episódios são apresentadas as dificuldades enfrentadas por doentes que carecem de doação de órgãos, ao mesmo tempo em que famílias se recusam a doar os de seu ente falecido. Analogamente à ficção, o Brasil enfrenta diversos dilemas relacionados à doação de órgãos, sendo que muitas pessoas ainda morrem na falta de um transplante. Sendo assim, diante de uma realidade temerária, discutir os aspectos dessa problemática é medida que se faz imediata.

Em princípio, um dos empecilhos para a doação de órgãos é a recusa familiar. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), em 2018 43% das famílias recusaram a doação dos órgãos de seus parentes com morte encefálica comprovada. Isso ocorre devido à falta de informações oferecidas pelo Poder Público à população acerca do assunto, como explicações médicas que esclareçam a morte encefálica, a quem serão destinados os órgãos e que o falecido ainda estará completamente apresentável para a família caso decidam fazer um velório. Assim, muitas pessoas ainda falecem na espera de um transplante por conta da incompetência estatal em fazer tudo que for possível para oferecer saúde plena ao seu povo.

Ademais, cabe considerar o mau aproveitamento de órgãos doados como problema. Esse fato é  consequência da má distribuição de recursos para transplantes de órgãos pelas regiões brasileiras. Nesse sentido, por vezes órgãos de falecidos são doados e os mesmos ou os receptores estão em locais que não têm estrutura para efetuar o transplante, sendo necessário fazerem um deslocamento. No entanto, comumente a deslocação não é possível por falta de dinheiro ou por inviabilizar com a demora. Tal situação é inaceitável, visto que impede que vidas sejam salvas e evidencia o descaso estatal para com o seu dever de oferecer saúde de qualidade em todas as localidades do país. Sendo assim, faz-se mister a reformulação dessa postura do Poder Público urgentemente.

Destarte, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Nessa lógica, com o intuito de evitar o mau aproveitamento de órgãos doados, urge que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será convertido em infraestrutura para transplantes em todas regiões do Brasil, de modo que não falte médicos nem aparato material para nenhum tipo de transplante. Além disso, para que o número de doadores aumente,  essa verba deve ser convertida, ainda, em campanhas em redes sociais e outras mídias, promovidas pelas Secretarias da Saúde, de maneira que esclareçam sobre a morte encefálica, o destino dos órgãos e mostrem exemplos de pessoas que foram salvas por transplantes. Assim, os dilemas na doação de órgãos serão mitigados.