Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/10/2019
Ao afirmar, em sua célebre canção “o tempo não para”, o poeta Cazuza faz de certo modo, uma comparação entre o futuro e o passado. De fato, ele estava certo, a doação de órgãos não é um problema atual. Desde a segunda guerra mundial no século XX, essa realidade imediata, perpetua-se com avanços na medicina. De mesmo modo, na contemporaneidade, as dificuldades ainda persistem, seja pela falta de informação da sociedade, seja pela recusa familiar.
A elaboração da Constituição Federal há 30 anos, foi baseada no sonho de bem-estar social para todos os indivíduos, incluindo os donatários de uma doação. Entretanto, é notório que o poder público não exerce o seu papel enquanto agente fornecedor de direito mínimo, uma vez que culturalmente a um tabu em falar sobre a morte ou sobre a chegada repentina dela, o que resulta em familiares optarem por não doar órgãos, justificando o desconhecimento da vontade do possível doador. Dessa maneira, percebe-se que essa inaceitável questão de vulnerabilidade dos receptores de órgãos configura, não só um desrespeito, mas também uma desvalorização descomunal.
Deve se pontuar, de início que a Constituição cidadã de 1988, em vigor até hodiernamente, está entre as razões para persistência dos dilemas da doação de Órgãos. Consoante a Aristóteles no livro “ética a nicômaco”, a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. No entanto, é perspectivo que esse direito é violado no país, tendo em vista que 47% das famílias se recusam a doar órgãos, segundo dados da Associação Brasileira de transplante de órgãos (ABTO). Isso ocorre pela falta de comunicação e conhecimento entre familiares e á aceitação de perda de um ente querido. Ademais, a religiosidade pode interferir na opinião familiar, haja vista que algumas são contra tal ação.