Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 14/10/2019
No filme internacional “Sete Vidas”, o personagem Ben quer encontrar a redenção, nessa jornada ele propõe mudar a história de determinados indivíduos através da doação de órgãos. Embora, seja uma obra ficcional, a produção cinematográfica apresenta características que se assemelham ao contexto atual. Essa influência embora positiva tem determinadas barreiras, como a falta de informações e o individualismo.
Primeiramente, é necessário abordar sobre a ausência de informativos para a sociedade. Sobretudo, diversas camadas ao redor do país não possui o entendimento adequado sobre o procedimento. Entretanto, ainda que a ciência tenha evoluído bastante nas últimas décadas, a doação de órgãos no Brasil ainda se encontra com determinadas barreiras de consciencialização dos familiares, fazendo que diversos tecidos sejam desperdiçados, por sua vez, aumentando a fila de espera para aqueles que precisam. Ademais, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), cerca de 32.716 pacientes estão cadastrados na lista de espera para um transplante de diversas estruturas, como por exemplo fígado e rins.
Além disso, é importante destacar o individualismo ao redor do país. O conceito de solidariedade tem sido alterado conforme acontece as transformações na sociedade industrial. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman em seu livro “Modernidade Líquida”, a comunidade encontra-se fluída, com as relações de “amor” se tornando cada vez mais flexíveis, por sua vez, aumentando os níveis de insegurança. Nesse sentido, é comum o pensamento “egocêntrico” onde a prioridade se tornou seu próprio corpo, deixando outras camadas sem o verdadeiro amparo social, acontecendo a quebra de um compromisso ideal em ajudar o próximo. Com isso, a questão de doação de órgãos é fortemente afetada, fazendo que diversas gerações futuras perpetue o pensamento de egoísmo.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Assim, como no filme da produtora Sony o objetivo é salvar vidas, é indispensável dar o devido foco. Desse modo, é dever do Ministério da Saúde, como SUS, em conjunto com a mídia, por meio de campanhas publicitárias como jornais e revistas discutir possíveis caminhos alternativos para a solução desse problema, debatendo as graves consequências da falta de doações com a sociedade, com o efeito de diminuir o número de indivíduos na lista de espera, evitando assim que essa problemática permaneça no Brasil.