Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 14/10/2019

Em sua obra “Quincas Borba", o autor brasileiro Machado de Assis expõe na sociedade carioca uma mazela global – como o egoísmo dificulta a promoção de um bom funcionamento da sociedade. Fora das páginas, é fato que o altruísmo é imprescindível para a manutenção da vida, ainda mais no que tange à doação de órgãos. Desse modo, a transposição de uma cultura se soberba somada a um melhoramento categórico na educação pública são tarefas basilares para que a doação de órgãos não seja um dilema.

A princípio, reconhece-se como a persistência de uma sociedade egoísta é fundamento para diversos entraves no ato de doar. Acerca disso, rememora-se o discurso do filósofo chinês Mozi, que disserta que é na empatia que se assenta a promoção de qualidade de vida. Logo, se a cultura de soberba ainda impera sobre uma humanidade egoísta, é inconcebível acreditar que a doação de qualquer bem – seja ele consumível ou biológico – deixe de ser um impasse social.

Além disso, é ponto pacífico inferir que essa cultura maléfica estrutura-se devido a um significativo déficit na educação. Segundo o pedagogo Paulo Freire, a benevolência como fato social pressupõe a existência de conhecimento teórico do assunto, conhecimento esse adquirido na escola. Portanto, se o sistema educacional não propicia um conhecimento pleno da acepção do que seria a morte encefálica e, por conseguinte, da possibilidade de ajudar outras vidas com a doação de órgãos, é praxe que o egoísmo ignorante prepondere sob a ótica do altruísmo.

Destarte, torna-se evidente acreditar que o Estado deve tomar medidas a fim de dirimir o dilema sobre a doação de órgãos. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Educação e Cultura – em parceria com o Ministério da Saúde – crie aulas especiais, dentro da disciplina de Biologia, que, por meio de informações teóricas sobre o ato der doar órgãos, possam fazer com que a cultura da soberba seja diminuta já na socialização primária. Dessa forma, é passível de concepção uma sociedade na qual as batidas de vida estejam devidamente relacionadas à prática da empatia e não ao egoísmo como narrado em “Quincas Borba".