Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 15/10/2019
A Constituição Federal de 1988 assegura a permissão de doação de órgãos em todo o território nacional. Entretanto, tal medida, muitas vezes, é inviabilizada por familiares do doador por conflitos éticos. Nesse viés, convém analisar causa, consequência e possível medida para o dilema na doação de órgãos no Brasil.
Nos Estados Unidos, a explicação acerca da doações de órgãos é pautada desde cedo nas escolas. Em analogia, no Brasil, o entendimento à respeito dos transplantes é escasso, fator que, notoriamente, faz-se presente na falta de acompanhamento instrucional, o que reforça a falta de cultura de doações. Em um país que legaliza a doação de órgãos, é inadmissível que haja um falho sistema educacional no que tange o acesso à informação do poder transformador da doação.
Por conseguinte, de acordo com o jornal O Globo, em cerca de 50% dos casos, a família não autoriza o processo de doação. Isso acontece porque, grande parte da população, desconhece os efeitos benignos dos transplantes. Ademais, pouco é investido na assimilação individual dos familiares, tendo a temática da doação explorada em um momento de incertezas perante o desprendimento da matéria. Diante disso, há a crença de que pode haver roubo dos órgãos como forma de corrupção nos hospitais.
Portanto, para que a lei seja posta em prática e o desconhecimento de um assunto essencial para salvar vidas seja dialogado sem tabu, são necessárias mudanças. Para tanto, o Estado, através do Ministério da Educação, por meio de mudanças na grade curricular educacional, deve incluir o ensino detalhado do procedimento e importância da doação de órgãos, com o intuito de garantir a ascensão de uma cultura de doações, para que, em uma possível decisão, estejam aptos a agirem de forma consciente, tendo o poder de salvar inúmeras vidas.