Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 22/10/2019
No filme “Sete Vidas”, é retratado a história de um indivíduo que, no desenrolar da história, consegue literalmente salvar sete vidas através da doação de seus órgãos. Não obstante disso, o Brasil procura cada vez mais incentivar essa prática que além de recuperar um órgão que seria descartado, também serve para dar uma nova chance às milhares de pessoas que necessitam deste para sobreviver. Infelizmente no Brasil, esse processo é afetado seja pelo tráfico de órgãos, seja pela falta de solidariedade de certas famílias.
A priori, o comércio ilegal de órgãos evidencia uma problemática, pois além de tudo demonstra a completa negligência e despreparo de autoridades competentes para combater tal situação. De acordo com o Ministério Público Federal, até o ano de 2003, moradores de Recife iam à África do Sul vender rins, avaliados em três mil dólares, para europeus – 17 processos por essa prática tramitam até hoje na Justiça Federal. O tráfico afeta, diretamente, todo o processo legal de doação pois denigre o transplante de órgãos - algo que deve ser para salvar e não destruir vidas. Dessa forma, dificultando todo o processo legal da doação de órgãos.
Outrossim, a falta de solidariedade de certas famílias, proveniente da desinformação na maioria das vezes, influencia diretamente nesse dilema, visto que a família é, majoritariamente, responsável por estes órgãos. De acordo com Zygmunt Bauman, o período atual da nossa sociedade é caracterizada como líquida pela fragilidade e volatilidade das relações pessoais; essa volatilidade, idealizada por Bauman, atua diretamente no processo de empatia entre os indivíduos e, conseqüente, nas famílias que, pela desinformação, não entendem a importância da doação destes órgãos. Sendo assim, problematizando ainda mais a ação da doação.
Consequentemente, tanto o tráfico dos órgãos quanto a falta de solidariedade de certas famílias prejudicam o processo de doação destes órgãos e, portanto, intervenções devem ser tomadas. Mormente, a Justiça Federal, por meio do Poder Judiciário, deve ter tolerância zero com o tráfico de órgãos, investindo em força-tarefas em parceria com outros países, para coibir essa prática que denigre todo o processo de doação. Paralelamente, o Ministério da Saúde, por intermédio de informativos juntamente com palestras regionais, deve inibir a desinformação sobre o assunto, para que as famílias entendam a importância da doação destes órgãos, esperança para milhares de pessoas. Sendo assim, teremos a solidariedade estabelecida como relação que Bauman tanto quis.