Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 21/10/2019

“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Tendo em vista o sentido do pensamento do escritor Franz Kafka e a importância do transplante de órgãos para a manutenção da vida de milhões de brasileiros, a doação de órgãos é um ato de solidariedade. No entanto, alguns fatores dificultam essa doação, gerando dilemas que devem ser superados.

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), na última década houve um aumento de mais de 60% nas doações de órgãos. Porém, milhões de brasileiros ainda esperam na fila. Um dos fatores dificultantes é uma falha logística, pois há uma má distribuição das equipes realizadoras de transplante, que estão mais concentradas nas regiões Sul e Sudeste. Dessa forma, as demais regiões do país enfrentam mais dificuldade para transportar os órgãos e realizar os transplantes, o que acaba atrasando o processo.

Outro ponto importante está relacionado com os possíveis doadores, pois milhões de pessoas ainda não reconhecem a real importância da doação de órgãos, muitas vezes por falta de informação. Além disso, em casos de morte cerebral, existe a necessidade de autorização familiar, independente de declarações em vida. Nesses casos, outro fator contribui para uma possível negativa familiar: a abordagem, quando inadequada, da equipe de captação de órgãos, como é abordado no documentário “Anjos da vida”, que mostra a necessidade de uma abordagem, acima de tudo, empática com a dor da família.

Portanto, medidas são necessárias para superar esses dilemas acerca da doação de órgãos no Brasil. O Ministério da Saúde, por meio da mídia, deve vincular campanhas e reportagens que aumentem a informação da população sobre o assunto e, juntamente com as Secretarias Estaduais de Saúde, deve investir na estrutura das equipes de transplante, garantindo uma quantidade suficiente para cada região e meios de transporte rápido para os órgãos doados, a fim de aumentar a velocidade do processo. Ao Poder Público cabe a criação de um cadastro nacional de doadores de órgãos, para os quais não será mais necessária a autorização familiar. Para os demais casos, a ABTO, em parceria com os hospitais que realizam transplantes, deve promover treinamentos que visem garantir uma abordagem humanizada e eficiente, tanto para acolher a família, em casos de morte encefálica, quanto para otimizar a autorização para a doação. Dessa forma, o brasileiro terá cada vez mais respeito pela dignidade humana, exercendo sua solidariedade.