Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 17/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, ao qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a doação de órgãos apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de infraestrutura hospitalar, quanto do desconhecimento da sociedade sobre o fato. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar as dificuldades para a doação de órgãos deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. De acordo com o Agência Brasil, em 2018, pela ausência de infraestruturas nos hospitais, 71% dos órgãos doados não foram utilizados. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a insciência da sociedade como promotor do problema. Conforme a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2015, a taxa de recusas aumentou 22% em relação aos anos anteriores. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, politicas e econômicas é a característica da “modernidade liquida” vivida no seculo XXI. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a incompreensão da sociedade contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. O Governo deve investir em hospitais públicos, melhorar equipamentos e contratar profissionais capacitados. Além disso, deve fazer propagandas com o intuito de orientar a população que as doações são importantes e podem salvar vidas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do impedimento para a doação de órgãos, e a coletividade alcançará a Utopia de More.