Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 17/10/2019
Numa sociedade vetusta, em 1954, ocorreu o primeiro transplante vital e bem-sucedido entre irmãos gêmeos, sob a supervisão do médico Joseph Edward Murray. Entretanto, apesar dos avanços científicos ampliarem, consideravelmente, as taxas de sucesso dos procedimentos, nota-se que a doação de órgãos é uma problemática hodierna em voga. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro destacam-se a carência de informação social, bem como a precariedade do sistema hospitalar.
A priori, a carência informativa acerca do processo de doação é um entrave na solução dessa chaga social. De maneira análoga a esse cenário, a série americana “Grey’s Anatomy” retrata o cotidiano de médicos e residentes no hospital Seattle Grace. Nesse contexto, em vários episódios, a transplantação de órgãos é fator essencial no salvamento de vidas. Por conseguinte, apesar do ambiente ficcional, a realidade é semelhante ao universo da trama pois, diversas vezes, a negação da autorização familiar perante a ausência de conhecimento impede os transplantes. Desse modo, denota-se que as concepções deturpadas e desinformação se apresentam como um empecilho para a concretude do direito à vida presente na Carta Magna.
Outrossim, é evidente a ausência de infraestrutura hospitalar e de profissionais capacitados para realizar os processos. Sob tal ótica, segundo dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) há uma carência de investimentos na área. Nesse viés, a Associação delineia que o Brasil viabiliza cerca de um bilhão de reais no setor, sendo considerado pouco diante dos gastos e da porcentagem de 95% dos procedimentos serem financiados pela rede pública. Destarte, enquanto o Estado não cumprir seu dever constitucional em promover a saúde para toda população, a nação tupiniquim será obrigada a conviver com uma dos maiores entraves da pós modernidade: a negligência nos transplantes médicos.
Portanto, o Ministério da Saúde, como instância máxima nos aspectos administrativos e de manutenção da saúde pública, deve adotar estratégias no tocante à doação de órgãos a fim de aumentar o número de doadores e procedimentos. Essa ação deve ser feita por meio da ampliação de recursos ligados à saúde e melhorias na estrutura hospitalar com o fito de promover mais cirurgias. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação, em parceira com a mídia, amplifique as campanhas publicitárias já existentes e informe a população, através de palestras e simpósios, sobre a necessidade da doação. Ademais, com uma sociedade informada e suporte estrutural eficiente, a transplantação de órgãos será legítima no Brasil.