Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 17/10/2019
No Brasil, hodierno, vive-se uma situação crítica em relação à doação de órgãos, visto que, segundo o jornal O Globo, às famílias não autorizam a doação em cerca de 46% dos casos. Isso acontece, em parte, devido a falta de informação sobre os procedimentos e conceitos básicos sobre o assunto, como morte encefálica, duvidando da segurança da doação, além da ausência de infraestrutura hospitalar adequada no país. Sendo assim, de suma importância que tais fatores sejam analisados, a fim de solucionar a problemática.
É relevante abordar, primeiramente, que de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes (ABTO), dos casos possíveis de doação em 2014, apenas 54% foram autorizados pelas famílias dos pacientes. Nesse sentido, é possível avaliar que por causa da falta de esclarecimentos familiar acerca dos procedimentos, a tendência natural é a negação, uma vez que campanhas sobre a temática não são midiáticas e o assunto não é introduzido no cotidiano desses indivíduo, acreditando haver até roubos como forma de corrupção dentro dos hospitais, complicando a situação de quem aguardar na lista de transplantes.
Ainda convém ressaltar, que a estrutura hospitalar especializada é mal repartida pelo país, que segundo a ABTO, há uma maior concentração de mão de obra qualificada nas regiões Sul e Sudeste brasileiro. Porém, não havendo um sistema que funcione corretamente, mesmo que a população esteja predisposta a doar, isso não se concretizará. É necessário que haja profissionais aptos para coordenar os processos de transplantes, bem como uma organização capaz de solucionar os problemas que surgem no dia a dia, com cursos de comunicação em situações críticas, como de amparo aos familiares que desconhecem o assunto.
Tendo em vista os aspectos observados, urge que o Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da Educação, realizem palestras e seminários, envolvendo pais e alunos, que fomentem a discussão sobre a doação de órgãos, havendo uma educação relativa sobre o assunto desde a infância, a fim de que duvidas e questionamentos sejam esclarecidos. Ademais, o Governo deve investir em programas de qualificação dos profissionais da área, como psicólogos e enfermeiros de terapia intensiva, que é fundamental para o aumento das chances de novos doadores.