Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/10/2019

Segundo a Constituição Federal de 1988, norma de maior relevância na sociedade brasileira, todos os indivíduos têm direito à saúde. Todavia, isso não é plenamente garantido na prática, uma vez que persistem inúmeros dilemas na doação de órgãos e, embora houve um aumento no número de doações, conforme dados do R7, os problemas são evidentes. Desse modo, é preciso avaliar tais impasses que se devem, essencialmente, pela falta de preparo da população e a perda da solidariedade social.

De início, é importante salientar que a doação de órgãos é possível somente depois do consentimento da família e isso se torna o principal obstáculo para a realização do processo. Nessa esfera, o seriado Grey’s Anatomy mostra as dificuldades para a doação em caso de morte encefálica em razão da comoção e relutância dos parentes ante à operação. Fora da ficção, a falta de preparação psicológica impede a doação o que resulta, por conseguinte, em enormes listas de espera para transplante e, ainda, a venda ilegal de órgãos e clínica clandestinas em situações precárias colocando em risco a vida de milhares de pessoas.

Ademais, o individualismo da sociedade moderna contribui para os impasses da doação de órgãos. Nesse prisma, Zygmunt Bauman alega de o século XXI está marcado pela dissolução dos laços de solidariedade. Dessa forma, é notório que a falta de afetividade nas relações sociais pode, também, ameaçar a saúde dos indivíduos, visto que sendo admissível doar órgãos, enquanto vivo, como o rim, medula óssea e partes do pâncreas e fígado, poderia ajudar a salvar vidas.

Destarte, para minimizar os dilemas da doação de órgãos , cabe ao Ministério da Saúde a formulação de políticas eficientes no que diz respeito ao procedimento e, por meio de parcerias com instituições hospitalares- principalmente públicas, garantir assistência psicológica às famílias e auxílio médico no processo de transplante, fornecendo os equipamentos e as medicações necessárias. Em adição, à mídia, principal veículo de difusão de conhecimento, importa o papel de elucidar a importância da doação para a manutenção da vida e isso pode se feito por intermédio de novelas e propagandas em horário nobre. Tais medidas mitigarão o problema e garantirá, de maneira efetiva e democrática, o direito instituído constitucionalmente.