Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 22/10/2019

“O espírito de gentileza podia salvar o mundo.O que nos falta é isso.Boas maneiras de homem para homem,de povo para povo”,assim concluiu Érico Véríssimo em seu livro Olhai os Lírios do Campo.Ao mesmo tempo,essa frase pode traduzir o que significa a doação de órgãos:ato gentil,altruísta e solidário,capaz de salvar muitas vidas.Entretanto,essa ação encontra dilemas no Brasil,os quais não estão somente na falta de comunicação de ser doador para a família,mas também na pouca importância dada ao assunto entre a sociedade.Diante do exposto,faz-se necessária a discussão sobre os problemas e possíveis soluções para que a doação de órgãos seja,de fato,uma pauta social.

Convém ressaltar,a princípio,que segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos(ABTO)47% das famílias não autorizam a doação,pois não sabem qual seria a escolha do seu parente.Nesse sentido,é necessário que toda a sociedade esteja disposta a cooperar,esforçando-se em pensar sobre o assunto,e em seguida informando a decisão de ser um doador ou não à toda família.Ratifica-se então,o ideal iluminista,de que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro.Sendo assim,é imprescindível formar opinião sobre o tema,afim de que doação de órgãos torne-se responsabilidade de todos e seja discutido em todos os ambientes públicos como o ato importante que é.

Ademais,doar órgãos deve ser entendido como alteridade,ou seja,colocar-se no lugar do outro,uma vez que,qualquer pessoa pode precisar futuramente do gesto.Nesse sentido,José Datrino, o “profeta Gentileza"que andava nas ruas do Rio de Janeiro fomentando boas ações,tinha como lema"Gentileza gera Gentileza”.Dessa forma,é notório que quando uma pessoa mobiliza-se em prol de outra,faz com que mais atos como esse ocorram,logo a doação de órgãos deve ser difundida para que cada vez mais pessoas a entendam e a valorizem como a melhor oportunidade de salvar vidas.

Infere-se portanto,que os dilemas da doação de órgãos estão na falta de responsabilidade  social com o assunto.Urge então,que as Secretarias Estaduais de Saúde,reúnam e orientem os transplantados e famílias de doadores,para que criem projetos de difusão sobre o assunto em cada município de origem.Esses projetos voluntários,podem ser formados por palestras com depoimentos no comércio e escolas,vídeos online e pequenos documentários,a fim de que a comunidade veja o quanto doar órgãos muda vidas,e que quem recebeu o transplante e quem permitiu a doação,um dia podem ser os próprios espectadores.Outrossim,fica claro que atos gentis e solidários, como a doação de órgãos, devem estar intrínsecos ao cotidiano de qualquer sociedade,pois é como Veríssimo expressa,a oportunidade de mudar o mundo está no espírito gentil de cada homem com o seu povo.