Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/10/2019

Stuart Mill,filósofo inglês do século XIX,propôs na sua ética utilitarista o princípio da maior felicidade,na qual a ação tida como moralmente correta é aquela que proporciona a felicidade para o maior número de indivíduos.No entanto,na conjuntura contemporânea,observa-se desafios para a efetivação da doação de órgãos tanto por questões familiares quanto por falta de infraestrutura,os quais é responsável pela perda de milhares de pessoas opondo-se,assim,ao pensamento de Mill.Nesse contexto,urge analisar como o despreparo da sociedade civil e a negligência governamental impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar,a princípio,que os dilemas para a doação de órgãos está intrinsecamente relacionada à falta de informação da população sobre essa questão.Nesse viés,a sociedade civil não recebe informações suficientes acerca da forma como acontece a captação dos órgãos e,principalmente,sobre o diagnóstico de morte encefálica necessário para a realização dos procedimentos.Diante disso,os familiares - responsáveis pela autorização da doação - ficam suscetíveis a acreditarem em concepções errôneas de comercialização de órgãos e,consequentemente,se recusam a autorizar a doação.Essa conjuntura,é análoga a teoria dos “Ídolos”,do filósofo Francis Bacon,a qual as falsas percepções humanas atrapalham a compreensão da realidade.

Outrossim,a falta de infraestrutura adequada reflete a ineficácia estatal no que tange à doação de órgãos.Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos,o Brasil aumentou o número de doadores,entretanto,não conseguiu atingir a meta proposta.Nessa perspectiva,os transplantes de órgãos ocorrem de maneira desigual pelo território nacional,visto que as regiões sul e sudeste concentra-se hospitais aptos a realização de tais procedimentos.Assim,devido as longas distâncias e curto período de duração que um órgão é capaz de sobreviver ocorre ocasionalmente a perda de potenciais doadores.Dessa forma,os mínimos investimentos do Estado corrobora para o aumento gradual das filas de espera.

Infere-se,portanto,que é imprescindível medidas para incentivar a população a doarem órgãos.Logo,

cabe ao Ministério da Educação - ramo do Estado responsável pela formação civil - promover palestras e atividade lúdicas na escolas,desde as séries iniciais,as quais elucidem aos alunos todos os procedimentos necessários para a realização da doação,uma vez que tais ações estimulam o senso crítico dos indivíduos.Isso deve ser feito por meio de profissionais capacitados na área,como médicos e enfermeiros,com o fito de desconstruir os mitos e as aversões em relação aos transplantes de órgãos.