Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 21/10/2019
No ano de 1964, na cidade do rio de janeiro, houve o primeiro transplante no Brasil e deu início aos atuais processos de doação de órgãos no país. Entretanto, substancial parcela da população brasileira se mostra indiferente a essa conquista, não havendo a cultura de ser doador. Diante dessa perspectiva, deve-se avaliar como a desinformação e falha no sistema de recolhimento dos órgãos geram efeitos negativos à população.
Em primeiro plano, a falta de informação acerca da doação impede que pessoas sejam salvas. Nesse sentido, Francis Bacon, filósofo inglês, defendia na teoria dos “Ídolos” que as falsas percepções humanas atrapalham a compreensão da realidade. A esse respeito, existem tabus com relação a ser doador ou a família aceitar o ato, acredita-se que pode ocorrer o tráfico dos órgãos, desfiguração do cadáver ou se tratando da morte encefálica, no qual o ser não possui mais funções neurológicas, há a dificuldade de assimilar que o indivíduo está realmente morto. Desse modo, não é razoável que o povo brasileiro continue prejudicado por crer em mitos.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o déficit de grupos de profissionais capazes de realizarem as transplantações, ocasionando a perca dessas estruturas fundamentais à vida. Nesse viés, segundo dados do site G1 em São Paulo há cerca de 20 equipes para realizarem transplantes de fígado, Minas Gerais possui apenas 3, enquanto em outros locais não há. Com isso, órgãos capazes de poupar doentes são perdidos, evidenciando a falta de políticas públicas e certo descaso. Todavia, enquanto o sistema de captação permanecer em segundo plano, muitas vidas estarão com o futuro comprometido.
Torna-se evidente, portanto, que para a valorização da conquista do primeiro transplante no país, medidas são necessárias. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve, com prioridade, estimular o pensamento crítico na sociedade, por meio de propagandas, em horários de maior pico, utilizando de figuras ilustrativas e desenhos, a fim de estimular futuros doadores. É imprescindível, que a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos promova campanhas nas redes sociais, por meio de reivindicações populares e institucionais, com o intuito de aumentar a oferta de equipes médicas e elevar o número de transplantes. Assim, o Brasil poderá se ver livre das falsas percepções pautadas por Francis Bacon.