Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 22/10/2019
Vive-se, no Brasil, uma situação crítica com relação à doação de órgãos, visto que, segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, não autoriza-se a doação em cerca de 45% dos casos. Isso acontece, em parte, devido ao desconhecimento dos processos do procedimento e de conceitos básicos, como a morte encefálica, por parte dos familiares. Além disso, trata-se de uma pauta pouco explorada tanto em campanhas governamentais quanto em outras esferas, como a escolar, dificultando a disseminação da importância desse ato e dos pormenores do assunto.
A princípio, é relevante ressaltar que somente uma pequena parte das mortes encefálicas é revertida em doação de órgãos. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2018, somente, 53% das doações possíveis foram autorizadas pelas famílias dos pacientes com morte cerebral. Dessa forma, é possível aferir que por conta da falta de esclarecimento acerca do processo de retirada de órgãos, a tendência natural é a negação por se tratar de um momento de perda. Diante disso, também há pessoas que temem o roubo e comercialização de órgãos, - já que estes, valem uma quantia significativa no mercado negro ou deep web - como forma de corrupção nos hospitais.
Outrossim, apesar de existir um bom funcionamento institucional quanto aos transplantes de órgãos, considerando que, ainda segundo o jornal O Globo, 95% dos procedimentos são feitos pelo SUS, pouco investe-se a respeito da importância da doação; agravando a situação de quem aguarda na lista de transplantes. Do mesmo modo, o coordenador do PET (Programa Estadual de Transplantes) do Rio de Janeiro, ressalta os meios midiáticos como possuidores do papel de propagar informação acerca da doação de forma positiva, como transmitido nacionalmente na novela “Em família” onde um dos protagonistas foi submetido a necessidade de um transplante de coração. Destarte, contribui para a disseminação do debate pelo Brasil, aumentando o conhecimento sobre o tema.
Portanto, torna-se visível que os obstáculos diante do assunto precisam ser superados com o fito de aumentar a quantidade de doações de órgãos. Assim, é dever do Ministério da Educação, por meio da modificação da Base Nacional Comum Curricular, inserir a temática sobre o processo de doação de órgãos nas aulas de biologia destinadas ao Ensino Médio. Afim de introduzir o conhecimento prévio aos cidadãos brasileiros, e garantir que em uma possível decisão que tenham de tomar sobre o assunto, estejam em plenas condições de decidir. Aos meios midiáticos, juntamente com o Ministério da Saúde, cabe o encargo de investir e aprimorar as propagandas a respeito da importância da doação de órgãos, trazendo depoimentos reais de pessoas que encontram-se na lista de espera por transplantes. Desse modo, com a comoção da sociedade, a doação de órgãos aumentará e atenuará o problema atual.