Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 21/10/2019
Vive-se, no Brasil, uma situação crítica com relação à doação de órgãos, visto que, segundo o jornal O Globo, as famílias não autorizam a doação em cerca de 50% dos casos. Isso acontece, em parte, porque tais familiares desconhecem os processos do procedimento e conceitos básicos como morte encefálica, duvidando da segurança da doação. Além disso, trata-se de uma pauta pouco explorada tanto em campanhas governamentais quanto em outras esferas, como a escolar, dificultando que a população assimile a importância desse ato e fique ciente dos pormenores do assunto.
A princípio, é relevante ressaltar que uma parte muito pequena das mortes encefálicas é revertida em doação de órgãos. De acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), apenas 1.800 doações das 6 mil possíveis em 2012 foram autorizadas pelas famílias dos pacientes com morte cerebral. Dessa forma, é possível aferir que por conta da falta de esclarecimento desses indivíduos acerca do processo de retirada dos órgãos, a tendência natural é a negação, já que não é comum que campanhas sobre o tema sejam veiculadas na televisão ou nas redes sociais. Diante disso, há as pessoas que acreditam até que pode haver até roubo dos órgãos como forma de corrupção nos hospitais, complicando a situação de quem aguarda na lista de transplantes.
Outrossim, apesar de existir um bom funcionamento institucional quanto aos transplantes de órgãos, considerando que, ainda segundo o jornal O Globo, 93% dos procedimentos são feitos pelo SUS, pouco investe-se na assimilação individual acerca da importância da doação. Esse assunto e seus devidos esclarecimentos não são pautas comuns nas escolas, desde o ensino fundamental até o ensino médio, nem mesmo nas aulas de biologia. Por conta disso, a temática fica pouco explorada e em um eventual momento de decisão, a família reage com surpresa ao sugestionamento dos médicos sobre a importância da retirada dos órgãos, não autorizando-a devido ao desconhecimento e ao choque de uma situação delicada.
Logo, é visível que o obstáculo da desinformação e do desconhecimento precisam ser superados com o fito de aumentar a quantidade de doações de órgãos. Assim, é dever do Ministério da Educação, por meio da modificação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), incluir o ensino detalhado do procedimento e da importância da doação de órgãos nas aulas de biologia destinadas ao Ensino Médio, com o intuito de introduzir previamente o conhecimento aos cidadãos brasileiros e garantir que em uma possível decisão que tenham de tomar sobre o assunto, estejam em plenas condições de decidir conscientemente.