Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 19/10/2019

No livro “O Mágico de Oz”, de L Frank Baum, o Homem de Lata, após ser amaldiçoado por uma bruxa, teve os órgãos transformados em metal, menos seu coração, o qual busca incansavelmente. Consoante à realidade, infelizmente muitas pessoas esperam por uma doação de orgão, assim como a personagem. Entretanto, a demora é grande e muitos morrem na fila de espera. Isso é causado pela falta de informação da população sobre o problema e pela infraestrutura precária dos hospitais.

Em primeiro plano, nota-se que o governo não é eficaz em informar o cidadão sobre a importância da doação de órgãos. Nesse sentido, J.J. Rousseau diz que é dever do Estado garantir as condições necessárias para saúde da população no contrato social. Todavia, quando ele não aborda a questão na mídia contraria não só o conceito de Rousseau mas também o Art. 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz que todos têm direito à saúde. Logo, o assunto é considerado Tabu e muitas famílias proíbem a doação devido ao fato de nunca terem tocado no assunto.

Ademais, é nítido que os hospitais não possuem infraestrutura para retirada e o transporte rápido dos órgãos. Similarmente, o seriado americano “Grey’s Anatomy”, que retrata o dia a dia dos médicos em um hospital, em um dos seus episódios, mostra a perda de um coração saudável porque não houve tempo de levá-lo ao paciente. De maneira análoga, no Brasil, a ausência de helipontos e helicópteros à disposição gera uma rápida deterioração do órgão antes que ele seja doado.

Portanto, urge que os ativistas dos Direitos Humanos promovam protestos nas redes sociais a fim de pressionar o Ministério Público a utilizar de verbas públicas para veicular nas grandes emissoras de TV propagandas que visam formar uma consciência coletiva a respeito do debate do assunto com a família. Sendo assim, haveria um maior número de doações. Além disso, as prefeituras municipais deve, com uso de impostos arrecadados em parceria com o Ministério da Saúde, realizar melhorias nos principais hospitais da cidade como a implantação de helipontos e no mínimo um helicóptero disponível para cada 200 mil habitantes da cidade. O intuito seria diminuir a taxa de órgãos que não sobrevivem a tempo do transplante.