Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 21/10/2019
A primeira doação de órgão no Brasil foi realizada em 1964, e enfrentava dificuldades de cunho técnico, ou seja, não existiam equipamentos precisos para tal ação. Contudo, na atualidade brasílica, apesar da evolução dos conhecimentos para a efetivação de um transplante de órgão doado, tal feito enfrenta diversos impasses. Nesse sentido, fazem-se relevantes dois fatores: o individualismo social e a falta de apoio da mídia. Por isso, medidas são necessárias para mitigar tal chaga social.
De início, é indubitável que a carência de empatia das pessoas vigente no século XXI esteja entre as causas da problemática. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, na sua obra “Modernidade Líquida”, os indivíduos buscam não se preocupar com os óbices sociais e só se preocupam com si mesmo. De maneira análoga, verifica-se que o individualismo contribui com os impasses para a doação de órgãos, haja vista que caso um ser-humano tenha uma morte encefálica e esteja na condição de ser doador, tal ação é negada pela família. Tal fato é comprovado por meio de dados divulgados pelo Ministério da Saúde, no qual mostram que 47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral.
Outrossim, atrelado ao individualismo social, destaca-se que, a falta de importância do tema na mídia corrobora para a persistência da adversidade na conjuntura social. Isso acontece, por que de acordo com a primeira lei de Newton, um corpo, na ausência de uma força que atua sobre ele, mantém seu estado natural. Sob essa ótica, percebe-se que a baixa visibilidade midiática de campanhas de doações de órgãos propiciam a inércia da sociedade, que deixa de atuar nesse precalço social. Como desdobramento, mais de 30 mil pessoas estão em filas a espera de órgãos, conforme afirma o portal G1.
Portanto, com o objetivo de atenuar a problemática e garantir que os órgãos sejam doados na sociedade brasileira, cabe ao Ministério da Saúde mostrar para as famílias a importância da doação de órgãos, isso pode ser realizado a partir de palestras públicas, a fim de que os tecidos funcionais do corpo humano sejam doados e contribuem para a melhoria da qualidade de vida de outros indivíduos. Ademais, é dever da mídia criar ações de merchandising social, por intermédio da inserção de temas referentes a essa contribuição social em obras de artes, tais como telenovelas e filmes, com o propósito de que o número de doadores aumenta e diminuem o nível de pessoas a espera de órgãos.