Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 21/10/2019

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU ( Organização das Nações Unidas ), todos os indivíduos possuem o direito ao acesso à saúde. Entretanto, esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que, os impasses acerca da doação de órgãos no país se consolidam em virtude da falta de informação e conhecimento populacional sob o tema e a da negligência governamental. Nesse sentido, cabe ao estado intervir nesse quadro precário em que a saúde pública se encontra.

Em primeira instância, é válido pontuar que a “cegueira branca” é, indubitavelmente, uma potencializadora dessa problemática. O termo supracitado foi criado e utilizado pelo escritor José Saramago, em sua obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, com a intenção de criticar a ignorância e o medo da sociedade brasileira. Analogamente à essa diegese, apesar da excelência profissional dos trabalhadores envolvidos diretamente com os sistemas de doação de órgãos, a população brasileira se encontra em um quadro de desconhecimento no que tange os processos de transportação dos órgãos e cirurgias, influenciando, por consequência a decisão de não doar os órgãos do parente falecido, como demonstram os dados divulgados pelo jornal O Globo, os quais afirmam que 50% das famílias não autorizam a doação.

Além disso, a inércia governamental no que diz respeito à ações para a ampla resolução dessa óbice, é uma fator para a persistência do problema. Consoante ao pensamento de Aristóteles em seu livro “Ética a Nicômaco”, “A política serve como instrumento para a garantia da felicidade dos indivíduos”. Contudo, essa tese não se expressa praticamente no Brasil, demonstrando, à vista disso, a imprudência do estado brasileiro sob a pauta nacional da condição instável que o sistema de doação de órgãos localiza-se.

Diante dos fatos supracitados, medidas são imprescindíveis para a solução dessa péssima conjuntura. Cabe ao Governo Federal,  na figura do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, incluir como assuntos obrigatoriamente abordados nas escolas de ensino médio a importância da doação de órgãos e de como é executado todo o sistema (do momento da doação até a sala de cirurgia), por meio da Base Nacional Comum Curricular, a fim de conscientizar as futuras gerações de cidadãos brasileiros sobre o impacto positivo que essa ação possui na vida de milhares pessoas. Apenas dessa forma, a Declaração dos Direitos Humanos irá se concretizar  de caráter abrangente sob nação Brasileira.