Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 21/10/2019
Na série televisiva “Greys anatomy”, a temática da doação de órgãos é apresentada mostrando a importância, a complexidade e os desafios enfrentados tanto pelas famílias do doador, quanto pelo paciente receptor. Fora da ficção, é fato que a problemática apresenta verossimilhança com os dilemas da doação de órgãos no Brasil. Nesse contexto, é cabível analisar os aspectos que cooperam para esse impasse, os quais ocorrem devido à falta de informação da sociedade, ou devido à ineficiência das políticas públicas vigentes.
Em primeiro plano, convém ressaltar a falta de informação acerca do processo de doação de órgãos como impulsionador do problema. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos ( ABTO), 43% das famílias se recusam a autorizar a doação para transplante. Além disso, as pessoas não informam às famílias que desejam ser doadores, fato esse que dificulta a decisão que deve ser tomada de forma rápida e em momento de luto. Desse modo, fica evidente que o desconhecimento do processo de doação, de quais órgãos podem ser doados e quais pessoas serão beneficiadas, tornam-se uma barreira, que deve ser transposta, para o avanço do quadro atual.
Outrossim, destaca-se a insuficiência de estrutura, logística e mediação do poder público como um entreve. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de transplantes efetivados ainda é baixo e poderia dobrar se houvesse maior investimento no transporte rápido dos órgãos e desburocratização do processo. Um coração, por exemplo, precisa ser transplantando em até 4 horas e um rim em até 48 horas. Dessa maneira, se um doador de um coração está no sul do país, dificilmente um paciente receptor que está no norte será beneficiado pelo transplante. Assim, é mister que o poder público elabore medidas mais específicas e eficientes para otimizar e desburocratizar o processo de doação. Infere-se, portanto, que ações são essenciais para minimizar o dilema existente na doação de órgão no país. Sendo assim, para a conscientização da sociedade e a ampliação dos meios logísticos para a efetivação dos transplantes, urge que o Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, crie um sistema de transporte aéreo específico para transplantes, alem de promover treinamentos e capacitação na remoção e acondimentamento dos órgãos em cada estado brasileiro. Ademais, as famílias, em parceria com as escolas, devem promover a discussão do tema no ambiente estudantil e familiar. Logo, espera-se com essas ações promover o sentimento de empatia na sociedade.