Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 22/10/2019

No Egito Antigo, a técnica da mumificação foi um dos primeiros meios que possibilitaram um melhor entendimento sobre o corpo humano. Nesse sentido, o avanço de práticas como essa desenvolveu a área das ciências médicas, que atrelada a revolução tecnológica, acarretou em formas avançadas para salvar vidas, como em casos de doações de órgãos. Entretanto, atualmente, há dilemas para a efetivação de tal processo em âmbito nacional. Com efeito, essa situação é agravada devido à ausência de planejamento infraestrutural e à falta de informação da família do doador.

Diante desse cenário, é verossímil a infraestrutura decadente do processo de transplante.  Isso acontece porque não há disponibilização de recursos suficientes para qualificação de profissionais e instalações médicas. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo John Locke, no qual ele cita que o Estado foi criado para promover os direitos naturais dos cidadãos, como a saúde. Entretanto, ele não cumpre seu papel no que tange à doação de órgãos, visto que há enormes filas de espera e nem sempre há profissionais altamente especializados.

Outrossim, a falta de informação sobre esse problema diminui o número de doadores, visto que a família tem a decisão final. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a solidariedade social é fruto da consciência coletiva. Isso quer dizer que as pessoas precisam estar informadas sobre o assunto para superar os dilemas éticos e religiosos enraizados na sociedade e, assim, realizar o ato de altruísmo que pode salvar vidas. Além disso, é perceptível uma falha na educação a respeito do ensino sobre o processo de doação e a importância em ser doador, visto que essa problemática ainda é um tabu na sociedade e as campanhas de incentivo não são suficientes.

Urge, portanto, que os entraves da doação de órgãos sejam elucidados no país. Nesse contexto, o Ministério da Saúde deve garantir infraestrutura adequada juntamente com a especialização de médicos, por meio de investimentos dos hospitais, a fim de agilizar e tornar mais eficiente o processo que garanta a saúde dos pacientes necessitados. Ademais, cabe ao Ministério da Educação elaborar propostas de incentivo à prática, a partir de palestras e disciplinas extracurriculares, a fim de que crianças e jovens cresçam acostumados com a ideia e dispostos a se tornarem doadores, e pessoas esclareçam suas dúvidas e superem seus medos sobre o processo. Com tais medidas, essas questões serão gradativamente solucionadas.