Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/10/2019

No filme Sete Vidas, Ben Thomas escolhe, em vida, sete pessoas para beneficiá-las com seus órgãos após a sua morte. Fora da ficção, no entanto, poucas pessoas têm a consciência que ele teve, pois a ausência de informações e de empatia ainda estão pertinentes na sociedade moderna, o que contribui para o dilema da doação de órgãos no Brasil.

Em primeiro plano, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 47% das famílias recusam fazer a doação de órgãos dos seus parentes. Diante disso, é  notório um elevado número de rejeições, tornando-se evidente que as políticas públicas implementadas para informar a sociedade e estimular as doações estão sendo pouco eficazes. Logo, contribuem para a estagnação da extensa lista de espera, o que  deixa os cidadãos mais desacreditados.

Outrossim, o sociólogo Émile Durkheim falava de dois tipos de solidariedade: a mecânica; mais primitiva e que valorizava o bem-estar coletivo em vez do indivíduo, e a orgânica; pós capitalista e valorizava o oposto. Dessa forma, nota-se uma prevalência da solidariedade orgânica e isso interfere diretamente nos transplantes, pois muitas famílias ao recusar a doação dos órgãos dos seus parentes estão pensando só na própria dor e não nas dores dos indivíduos que poderia ter uma nova chance e, assim, não contribuem para o bem-estar do coletivo.

Diante das problemática abordadas, portanto, são necessárias medidas para resolvê-las. O Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação(MEC) deve deixar a sociedade informada de todo o processo de doação de órgãos, por meio de palestras, nas escolas, com médicos, que mostre os benefícios que essa prática traz a humanidade, a fim de deixar os cidadãos mais preparados quando for necessário tomar essa decisão. Além disso, o MEC deve reduzir o individualismo da sociedade moderna, por intermédio de atividades lúdicas, nas escolas, que desenvolvam a empatia, com a finalidade de deixar a população menos individualista e que possam pensar no bem da coletividade.