Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/10/2019
O filme " 7 Vidas" retrata que um gesto nobre feito pelo protagonista, como doar seus órgão, pode salvar outras 7 vidas. Fora da ficção, a realidade encontra-se distante, de modo que a desinformação populacional juntamente com a falta de estrutura de equipes especializadas para transplantes impedem que muitas outras vidas sejam salvas.
A princípio, o desconhecimento populacional acerca da temática, em decorrência do assunto ainda se tratar de um tabu na sociedade, é um empecilho para a doação de órgãos no Brasil. Nesse contexto, há uma dificuldade em compreender o conceito de morte encefálica, na qual trata-se de uma situação irreversível que consiste na ausência de todas as funções neurológicas mas com os outros órgãos ainda em seu funcionamento normal, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Desse modo, essa situação contribui para a negação de morte por parte da família e essa não autoriza a doação.
Ademais, a má distribuição de equipes capacitadas para esse tipo de função contribui para a não distribuição de órgãos. Nesse diapasão, há falta de infraestrutura, profissionais e ambulatórios em hospitais que realizam esses transplantes, segundo o coordenador do Centro Estadual de Transplante (CET). À vista disso, mesmo que hajam doadores disponíveis, essa situação precária inviabiliza que vidas sejam salvas.
Em suma, está clara que a doação de órgãos no Brasil encontra entrave para sua realização. Portanto, é imprescindível o auxílio do Ministério da Saúde, principal competência que rege os investimentos nesse setor, na informatização da população, por meio de campanhas educativas em hospitais e espalhadas em outdoors, a fim de esclarecer como funciona a doação de órgão e que ela pode ser feita não só em morte mas em vida também. Além disso, é importante a fiscalização e recrutamento por parte do CET de equipes qualificadas nesses procedimentos para que uma pessoa tenha o suporte necessário para salvar outras 7 vidas.