Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 22/10/2019

A Revolução Industrial ocorrida no final do século XVII possibilitou inúmeros avanços tecnológicos, esses se manifestaram, principalmente, no âmbito da saúde, tendo em vista as infinitas inovações. Um dos recursos proporcionados foi a doação de órgãos, a qual revolucionou os sistemas de saúdes, uma vez que incontáveis vidas foram salvas através dessa. No entanto, hodiernamente, no Brasil, existem dilemas acerca da doação de órgãos, o que implica na sua aplicação e, por conseguinte, prejudicando os quadros de saúde. Nesse viés, dois fatores, sobretudo, fazem-se relevantes: a falta de informação acerca da temática e a omissão do Estado diante da questão.

A priori, consoante ao pensamento do filósofo Francis Bacon: ’’ Conhecimento é poder’’, assim percebe-se a relevância do conhecimento perante à estrutura social. Em contrapartida, a ignorância, ou seja, a ausência do saber atua como vetor de inúmeros problemas sociais, esses evidenciam-se, acima de tudo, na questão da doação de órgãos, uma vez que, na maioria dos casos, os órgãos são oriundos de pessoas já falecidas e, nesse caso, cabe a família decidir o destino dos componentes biológicos de seu ente. Desse modo, quando a família não conhece a importância da doação e que essa pode salvar vidas, acaba impedindo a ocorrência do processo, assim trazendo consequências a quem necessita de novos órgãos e ao sistema de saúde responsável.

A posteriori, é válido salientar que o Estado deve ser a instituição responsável por regular as relações humanas, favorecendo o equilíbrio entre os indivíduos, segundo o filósofo Thomas Hobbes. Nessa perspectiva, nota-se que, infelizmente, o Estado não cumpre sua função, pois não há uma intervenção eficaz perante os dilemas da doação de órgãos, uma vez que não é visto planejamentos e campanhas eficientes visando à disseminação das informações acerca do processo e a importância desse. Logo, nota-se a despreocupação acerca das melhorias nos quadros de saúde dos cidadãos, objetivando melhores condições de vidas e uma harmonia social

Diante do exposto, percebe-se que medidas são imprescindíveis a fim de mitigar a problemática abordada. Logo, cabe ao Governo Federal, somado às figuras dos governos estaduais, criar campanhas  eficazes explicitando a importância de salvar vidas através da doação de órgãos, essas devem, por meio dos canais midiáticos, atingir as mais diversas camadas sociais. Além disso, compete ao Ministério da Educação o gerenciamento de projetos escolares, os quais, por meio de atividades e palestras, abordem, desde cedo, a questão da doação, a fim de formar jovens conscientes acerca do processo. Assim, espera-se reduzir os dilemas acerca da temática e, por conseguinte, gerar melhorias no âmbito da saúde e, além disso, o cumprimento do papel do Estado posto por Hobbes.