Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 23/10/2019

A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, assegura o direito à saúde e ao bem-estar social. Todavia, a prática deturpa a teoria, uma vez que observa-se, no Brasil, dilemas no que tange à doação de órgãos e tecidos. Nesse sentido, pode-se dizer, então, que a falta de conhecimento e investimento são os principais responsáveis pelo quadro.

É preciso atentar, primeiramente, para o deficit de compreensão por parte dos indivíduos. De acordo com dados, de 2018, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes após morte encefálica comprovada. Essa postura deve ser associada à falta de discussão nos meios de comunicação em massa a respeito da questão, visto que a população acaba sem cognição, seja dos procedimentos da doação, seja da importância dessa ação.

Além disso, esse revés encontra terra fértil nas lacunas do investimento. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explicam pensadores como Karl Marx. Nesse sentido, para resolver problemas dentro do cenário capitalista faz-se fundamental o investimento financeiro. Esse aspecto atua de forma decisiva na doação de órgãos, posto que a falta de investimento em equipamentos, especialistas e transportes, nos hospitais, a fim de torná-los aptos a promoverem o transplante de órgãos, acaba por fomentar a precária rede de apoio.

Portanto, depreende-se a necessidade de ações que visem conservar as prerrogativas postas na teoria. Para tanto, cabe à mídia fornecer campanhas que esclareçam as possíveis dúvidas da população acerca do transplante de órgãos, por meio de propagandas, dado a influência dessas na mentalidade social, com a finalidade de tornar as pessoas mais solidárias nessa questão. Ademais, o Ministério da Saúde deve promover âmbitos hospitalares aptos à doação de órgãos, por intermédio de um maior direcionamento de verbas, com o fito de melhorar a infraestrutura desses espaços e, consequentemente, oferecer o atendimento previsto em lei aos indivíduos.  Dessa forma, o Brasil poderá atenuar tais dilemas.