Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 22/10/2019
Segundo a constituição Federal de 1988, no seu artigo 196, é dever do Estado assegurar o acesso á saúde, bem como responsável por medidas públicas para garantir o bem estar físico de todos os cidadãos brasileiros. Assim faz-se necessário que o Estado se atente para obstáculos que prejudicam a doação de órgãos, como a falta de infraestrutura nos hospitais e na logística. Outro fator que é um empecilho é a falta de informação por parte da família do doador.
De acordo com o jornal Folha de São Paulo, o Brasil desperdiça cerca de 50% dos órgãos doados, e 70 mil brasileiros estão a espera de uma doação. Os números são alarmantes e o motivo é que o país não possui uma infraestrutura logística para encaminhar as doações mais rapidamente aos pacientes, pois conforme o intervalo de tempo é maior, a chance do órgão não poder mais ser doado aumenta cada vez mais. Segundo o Ministério da Saúde, 95% dos procedimentos são financiados pelo SUS, tal fato indica que o poder público não investe em recursos para conservar essas doações nos hospitais e por sua vez elas acabam sendo perdidas e as filas dos pacientes que estão á espera aumenta a cada dia mais.
Contudo, pessoas que desejam doar seus órgãos muitas vezes não informam a família de sua decisão e após sua morte a doação acabam não sendo ocorrida. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgaos (ABTO), cerca de 47% dos familiares se recusam a doar, seja pela falta de conhecimento quanto a como o processo ocorre ou até mesmo por estarem em um momentos de luto acabam esquecendo dessa opção.Para que o processo fosse mais ágil é necessário que o doador em vida avise seus parentes que deseja doar seus órgãos, pois após sua morte seus familiares no momento de luto tendem a deixar isso de lado ou até mesmo cair no esquecimento quando os doadores não os avisam em vida.
Em suma, para solucionar essa conjuntura é necessário que o Ministério da Saúde em ação conjunta com o SUS invistam cada vez mais na área hospitalar principalmente no setor cirúrgico e logístico, para que assim os órgãos doados sejam conservados de uma forma correta, tanto no trajeto até os hospitais quanto nos próprios centros cirúrgicos. Dessa forma, as doações não seriam desperdiçadas. Além disso, é preciso também que o o Ministério da Saúde também invista em campanhas de conscientização nos hospitais, postos de saúde e nas escolas, para que assim as pessoas tenham ciência de como o processo ocorre e também saibam que avisar em vida a família ajuda muito e torna o processo muito mais eficaz. Portanto, com essas iniciativas o Estado irá trazer o bem estar físico de todos os brasileiros, assim como diz a constituição de 1988.