Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 01/11/2019

O transplante de órgãos foi realizado pela primeira vez em 1933, pelo médico ucraniano Vladimir Demikhov, desde então o processo está presente em todos os países para o socorrimento de várias vidas. No entanto, a falta de informação sobre doação de órgãos contribui para que os familiares não autorizem a doação, o que acaba prejudicando a pessoa que está na fila de espera.

Em primeira análise, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem mais de 34 mil pessoas na fila de espera para transplantes. Entretanto, com a falta de propagandas e de debates sobre doação de órgãos, grande parte dos brasileiros não sabem sobre a importância desse ato na vida de quem está na fila de espera. Segundo o presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), médico Roberto Manfro, o  grande problema é a falta de esclarecimento em relação às doações, pois quando as pessoas são esclarecidas, elas entendem e se posicionam a favor,  e como já dizia Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Diante disso, a falta de acesso a informações contribuem para que o ato de doação de órgãos seja pouco aderido pela população.

Ademais, de acordo com a Associação Brasileira de transplante de órgãos (ABOT), o principal entrave em relação a doação é a família, pois quase 50% dos familiares se recusam a autorizar essa ação. Sob esse viés, é importante ressaltar, que a falta de um profissional que auxilie esclareça como é feito o processo de doação e assegure que aquele órgão não irá ser comercializado de forma ilegal, contribui para a negação da família. Dessa forma, se torna difícil para o familiar aceitar esse tipo de pedido dos médicos.

Portanto, para aumentar o número de doações de órgãos é necessário que o Ministério da Educação promova campanha na sociedade por meio de mídias sociais, para demonstrar o quanto é importante ser um doador e que através daquela doação é possível salvar uma vida. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover cursos para que assistentes sociais e psicólogos consigam atender adequadamente as famílias tanto de quem vai doar, quanto de quem vai receber, para que os familiares se sintam amparados e esclarecidos de todos os processos, assim, o número da fila de espera irá diminuir. Com isso, será possível a maior ocorrência de doações e o incentivo a solidariedade cultural.