Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 22/10/2019
A série de televisão Grey’s Anatomy mostra vários casos médicos em que a vida do paciente dependia de um transplante. Apesar de serem histórias fictícias, representam muito bem a realidade do Brasil, na qual cerca de 35 mil pessoas aguardam nas filas por órgãos do SUS. Entretanto, a doação de órgãos não suporta tal demanda e isso é um problema causado principalmente pela falta de informação por parte da população e por conta do afeto da família que toma a decisão da doação.
Em primeira instância, é importante ressaltar que muitos brasileiros não têm conhecimento sobre transplantes. Apesar do Brasil ter um dos maiores sistemas de transplantes públicos do mundo, as pessoas muitas vezes não confiam na cirurgia, não têm noção de quantas vidas podem salvar ou não sabem que os órgãos são retirados na autópsia e caso não sejam doados são descartados. Além disso, muitos brasileiros ainda não sabem sobre a doação de medula e fígado que podem ser feitas com doadores vivos, já que são órgãos que se regeneram e, embora o nível de compatibilidade fora da família seja baixo, podem chegar a salvar muitas vidas.
De forma análoga, existe também a questão sentimental das famílias, que muitas vezes escolhem não doar por considerarem uma questão de respeito ao falecido. Isso se dá pelo fato de que muitas pessoas não deixam comunicado a vontade de ser doador e isso está relacionado com a desinformação, sendo que muitos ainda pensam que são obrigatórios processos burocráticos para se declararem doadores e acabam por não fazer nem a documentação e nem a comunicação à família. Diante disso, a decisão acaba sendo completamente dos familiares que, em um momento de dor, na maioria das vezes optam por não doar.
Portanto, é preciso que essa realidade mude e mais vidas sejam salvas. Para isso, o Ministério da Saúde deveria fazer um projeto que seja aplicado nos hospitais a fim de informar os pacientes por meio de campanhas nas unidades básicas de saúde, para que as pessoas sejam informadas e tomem a decisão ainda em vida.